O governo federal avançou nas negociações para implementar uma nova jornada de trabalho de 40 horas semanais com dois dias de descanso, proposta que prevê o fim gradual da escala 6×1 no Brasil. As discussões ocorreram nesta segunda-feira (25), em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e lideranças da Câmara dos Deputados.
O texto em construção prevê que a mudança passe a valer 60 dias após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso Nacional. A proposta estabelece uma transição gradual da carga horária: inicialmente, a jornada semanal seria reduzida de 44 para 42 horas. Em seguida, no próximo ano, entraria em vigor o limite definitivo de 40 horas semanais.
A nova regra também prevê a consolidação do modelo 5×2, garantindo dois dias consecutivos de folga aos trabalhadores sem redução salarial. O governo argumenta que a medida busca modernizar as relações de trabalho e ampliar a qualidade de vida da população empregada.
Nos bastidores, lideranças governistas trabalham para acelerar a tramitação da proposta ainda neste semestre. Integrantes do Ministério do Trabalho avaliam que a redução da jornada pode diminuir afastamentos relacionados ao desgaste físico e mental, além de aumentar a produtividade em diversos setores da economia.
A proposta, no entanto, ainda enfrenta resistência de representantes do setor empresarial. Entidades ligadas ao comércio e aos serviços defendem um período maior de adaptação, alegando impacto nos custos operacionais e necessidade de reorganização das escalas de funcionários.
A mudança deve atingir principalmente trabalhadores de áreas como comércio, supermercados, restaurantes, hotéis e serviços, setores em que a escala 6×1 permanece amplamente utilizada no país.
O texto ainda precisa passar pelas comissões da Câmara e do Senado antes de eventual promulgação. A expectativa do governo é construir consenso político para evitar atrasos na votação.