A fumaça provocada pelos incêndios florestais levou à suspensão das aulas presenciais em escolas e universidades de Manaus nesta segunda-feira (19). A capital amazonense enfrenta uma forte deterioração da qualidade do ar, enquanto autoridades ampliam as operações de combate às queimadas na região.
A medida alcança as redes municipal e estadual de ensino. No interior do Amazonas, escolas de Autazes e Nova Olinda do Norte também interromperam as atividades para evitar que estudantes e profissionais ficassem expostos à poluição.
A Universidade do Estado do Amazonas suspendeu as aulas presenciais até sexta-feira nas unidades localizadas nas áreas atingidas. A Universidade Federal do Amazonas cancelou as atividades desta segunda e da manhã de terça-feira nos campi de Manaus e Itacoatiara.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental mostram que a qualidade do ar na capital variou entre “ruim” e “muito ruim”. No sábado, a concentração de partículas finas chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico, índice classificado como péssimo e prejudicial à saúde.
Esse tipo de poluente consegue alcançar as partes mais profundas dos pulmões e pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma ou outros problemas pulmonares estão entre os grupos mais vulneráveis.
A população foi orientada a reduzir atividades ao ar livre, manter portas e janelas fechadas quando possível, aumentar a hidratação e utilizar máscaras do tipo PFF2 em situações de maior exposição. Pessoas com falta de ar, dor no peito ou piora de doenças respiratórias devem procurar atendimento médico.
A crise se intensificou durante o fim de semana. O Amazonas registrou 705 focos de calor no sábado, contra 226 contabilizados na sexta-feira. A fumaça produzida pelos incêndios se espalhou e encobriu diferentes áreas de Manaus.
Uma comitiva com quatro ministros foi enviada ao Amazonas para coordenar a resposta do governo federal. A mobilização prevê a atuação das Forças Armadas, a instalação de um Estado-Maior Conjunto e o emprego de 16 aeronaves no combate às chamas.
O efetivo de brigadistas deverá passar de 200 para 400 profissionais. Também foi anunciado o repasse de R$ 14 milhões para reforçar as operações contra os incêndios e ampliar a estrutura disponível no estado.
A Polícia Militar informou que 11 pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento com incêndios, principalmente no município de Autazes. As circunstâncias e a eventual responsabilidade de cada detido serão investigadas.
Enquanto as operações continuam, não há previsão para a normalização completa da qualidade do ar. As autoridades acompanham o avanço dos focos de incêndio e poderão manter ou ampliar as restrições caso a fumaça permaneça sobre as áreas urbanas.