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França mantém toque de recolher após protestos e saques

O governo da França decidiu manter toques de recolher localizados nesta terça-feira (20) após uma onda de protestos terminar em saques, incêndios e confrontos em diferentes cidades. As restrições serão aplicadas novamente nos locais onde as autoridades considerarem que existe risco de novos episódios de violência.

A medida foi adotada inicialmente na noite de segunda-feira (19) em áreas de Paris e de outras cidades, como Lille e Nice. Segundo o governo, as restrições ajudaram a reduzir os distúrbios durante a madrugada.

Na capital francesa, policiais esvaziaram e cercaram a Praça da República, que havia se tornado um dos principais pontos de concentração dos manifestantes. Um helicóptero também foi utilizado para acompanhar o cumprimento das determinações.

Os protestos começaram com mobilizações de estudantes e cresceram ao incorporar reivindicações contra o aumento do custo de vida, a desigualdade econômica e a situação dos serviços públicos. Aproximadamente 500 mil pessoas participaram dos atos realizados em diferentes partes do país.

Parte das manifestações terminou em confrontos com as forças de segurança, incêndios em veículos, depredações e invasões de estabelecimentos comerciais. Mais de 2.500 pessoas chegaram a permanecer sob custódia para prestar esclarecimentos.

Cerca de mil policiais ficaram feridos durante os distúrbios, segundo as autoridades. Entidades ligadas ao comércio estimam que mais de 2 mil lojas e empresas tenham sido atingidas pelos atos de vandalismo e pelos saques.

Em Paris, estudantes também bloquearam o acesso ao Museu do Louvre. A mobilização obrigou a administração a fechar temporariamente uma das principais atrações turísticas da França.

O presidente Emmanuel Macron reconheceu a existência de falhas no planejamento e na atuação das forças de segurança. O governo determinou uma revisão dos procedimentos utilizados durante as manifestações.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que novos toques de recolher serão decretados onde a situação exigir. A medida, entretanto, não será aplicada de forma generalizada em todo o território francês.

A prefeitura de Paris defendeu que as restrições sejam utilizadas apenas em situações excepcionais. Apesar da redução dos confrontos durante a madrugada, o governo mantém o reforço policial diante da possibilidade de novos atos.

Grupos identificados com o movimento dos “coletes amarelos” convocaram novas manifestações para sábado (24). As autoridades acompanham as redes sociais e preparam operações para evitar outra escalada de violência.

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