O senador Flávio Bolsonaro abandonou a intenção de pedir a anulação direta do segundo turno da eleição presidencial e anunciou que pretende liderar a oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança de postura ocorreu na segunda-feira (26), um dia após o resultado das urnas.
Flávio havia afirmado inicialmente que seria impossível reconhecer a vitória do adversário. Ele questionou a prorrogação do horário de votação em seções que permaneceram abertas depois das 17h e anunciou que recorreria à Justiça Eleitoral.
O senador recuou após a divulgação dos primeiros levantamentos sobre os votos registrados durante o período adicional. Aproximadamente 34,3 mil eleitores votaram depois das 17h, número muito inferior à vantagem de 4.430.191 votos obtida por Lula.
A continuidade da votação havia sido autorizada até as 19h em locais que ainda tinham filas ou enfrentaram problemas provocados pela falta de transporte público e pelas chuvas. As urnas encerradas antes da comunicação da decisão não foram reabertas.
Lula terminou o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O petista recebeu mais de 64 milhões de votos, enquanto o candidato do PL alcançou aproximadamente 59,8 milhões.
Embora tenha desistido de questionar diretamente as urnas e pedir a repetição da votação, Flávio ainda pretende recorrer à Justiça contra a chapa vencedora. A estratégia será alegar suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha.
A ação deverá questionar o anúncio e a ampliação de benefícios sociais promovidos pelo governo durante o período eleitoral. A defesa do senador também pretende incluir acusações relacionadas à atuação de aliados de Lula nas redes sociais.
O novo pedido terá como objetivo a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Para avançar, a acusação precisará apresentar provas de que as condutas apontadas tiveram gravidade suficiente para comprometer a igualdade da disputa.
Flávio afirmou que utilizará a força conquistada pela direita no Congresso para fiscalizar e enfrentar o governo. O senador declarou que pretende transformar Câmara e Senado em uma frente de resistência às propostas do novo mandato.
O Partido Liberal reconheceu oficialmente a vitória de Lula. Em nota, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a sigla aceita o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral e defenderá que qualquer questionamento seja apresentado pelos meios democráticos.
Dirigentes do PL, advogados e aliados políticos aconselharam Flávio a abandonar as acusações de fraude. A tentativa de anulação também perdeu apoio entre partidos do Centrão que participaram da campanha do senador.
Apesar de não ter declarado expressamente que reconhece a derrota, Flávio afirmou que seguirá como uma das principais lideranças da oposição. O PL terá a maior bancada partidária no Congresso e pretende usar essa posição para dificultar a aprovação de projetos considerados prioritários pelo governo.
Lula iniciará o novo mandato em janeiro de 2027 diante de um Congresso com maioria de direita. A composição deverá exigir negociações com partidos de centro para a aprovação de propostas econômicas, sociais e relacionadas à segurança pública.