O governo federal reconheceu oficialmente Ivo e André Herzog, filhos do jornalista Vladimir Herzog, como anistiados políticos, em decisão que amplia as medidas de reparação às vítimas da ditadura militar. O reconhecimento foi publicado na última segunda-feira (12) no Diário Oficial da União, por meio de portarias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Com a decisão, o Estado brasileiro concede aos dois filhos do jornalista um pedido formal de desculpas e uma indenização de R$ 100 mil para cada um, em caráter reparatório. O entendimento é de que ambos sofreram impactos diretos da perseguição política que culminou na morte do pai, em 1975.
Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, foi preso, torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo. O caso se tornou um dos episódios mais emblemáticos das violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar, após a versão oficial de suicídio ser desmentida por investigações e decisões judiciais posteriores.
Segundo a Comissão de Anistia, a perseguição política ultrapassou a figura do jornalista e atingiu sua família, que enfrentou consequências sociais, emocionais e institucionais ao longo dos anos. O reconhecimento considera os efeitos prolongados da violência de Estado sobre os filhos ainda na infância.
Em 2024, a viúva Clarice Herzog já havia sido reconhecida como anistiada política. A nova decisão reforça a política de memória, verdade e reparação adotada pelo governo federal, ao ampliar o alcance das medidas para familiares de vítimas da repressão.
.