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EUA revogam visto da embaixadora do Brasil e ampliam crise com Lula

Em pronunciamento à mesa, embaixadora dos Estados Unidos da América, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (5) e representa um novo agravamento da crise diplomática entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida foi adotada em meio ao impasse sobre a indicação de Daniel Perez para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O nome escolhido por Trump ainda não recebeu a aprovação formal do governo brasileiro, etapa necessária antes da confirmação pública e da posse de um embaixador estrangeiro.

Washington também relacionou a decisão à negativa brasileira de conceder vistos a dois diplomatas norte-americanos. O governo dos Estados Unidos considera que as medidas tomadas pelo Brasil dificultam o funcionamento normal da relação diplomática entre os países.

O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que a avaliação do nome indicado segue os procedimentos previstos nas relações internacionais. O Itamaraty também considera que o anúncio antecipado da indicação de Perez, antes da concessão do aval brasileiro, contrariou uma prática tradicional da diplomacia.

A revogação do visto não significa que Maria Luiza Ribeiro Viotti tenha sido formalmente expulsa dos Estados Unidos. A diplomata, no entanto, fica impedida de exercer normalmente suas funções em Washington enquanto o documento permanecer cancelado.

Autoridades norte-americanas afirmaram que o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil aprove a indicação de Daniel Perez. A condição transforma a permanência da embaixadora em um instrumento de pressão sobre o governo Lula.

Diplomata de carreira, Viotti assumiu a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos em 2023. Ela também já foi representante permanente do país nas Nações Unidas e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU.

A nova tensão ocorre enquanto Brasil e Estados Unidos enfrentam divergências comerciais, políticas e eleitorais. O governo brasileiro acusa integrantes da administração Trump de interferirem em assuntos internos do país e de demonstrarem apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Os Estados Unidos rejeitam a acusação de interferência e alegam que as medidas adotadas são respostas diplomáticas às decisões tomadas por Brasília. Apesar da escalada, representantes norte-americanos afirmam que pretendem manter uma relação funcional com o Brasil.

A crise pode dificultar negociações sobre comércio, segurança, combate ao crime organizado, energia e tarifas. Brasil e Estados Unidos mantêm uma das relações econômicas mais importantes do continente, com amplo fluxo de investimentos, mercadorias e serviços.

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