Os Estados Unidos rejeitaram uma proposta apresentada por Nicolás Maduro para deixar o poder em um prazo de dois ou três anos, informou o The New York Times nesta quarta-feira (19). Segundo o jornal, o plano foi discutido em meio às negociações indiretas entre Washington e Caracas, que tratam da crise política venezuelana, das sanções econômicas e da realização de eleições consideradas livres.
De acordo com a publicação, Maduro teria sinalizado disposição para abrir mão da Presidência em troca de garantias políticas e jurídicas, além de um processo de transição pactuado. A oferta, porém, não foi considerada aceitável pelo governo norte-americano, que busca um acordo mais imediato para restaurar a democracia no país.
Fontes afirmam que os EUA pressionam por um cronograma mais curto e por compromissos concretos que assegurem um pleito competitivo e observadores internacionais independentes. O governo Trump também estaria exigindo garantias de que Maduro não interferirá no processo eleitoral e permitirá a participação plena da oposição.
A recusa ocorre em um momento de tensão crescente após o fracasso das negociações anteriores e o retorno de sanções econômicas contra o setor petrolífero venezuelano. Washington avalia que a proposta apresentada por Caracas poderia manter Maduro no poder por mais tempo que o desejado e sem garantias de uma transição efetiva.
O governo venezuelano não comentou publicamente o conteúdo da reportagem. Nos últimos meses, Maduro tem alternado gestos de aproximação e críticas aos EUA, enquanto busca aliviar pressões internas e externas em meio à crise econômica prolongada.
As conversas devem continuar, mas diplomatas envolvidos afirmam que um avanço dependerá da disposição do regime em aceitar uma saída mais rápida e transparente, ponto considerado essencial pelos EUA para qualquer flexibilização das sanções.