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Estudo aponta perda de até 28% do peso com retatrutida e reforça corrida por nova geração de medicamentos contra obesidade

Pacientes com obesidade tratados com a retatrutida apresentaram perda média de até 28,3% do peso corporal após 80 semanas de acompanhamento, segundo resultados de um estudo internacional divulgados nesta segunda-feira (8). Os dados foram publicados na revista científica The Lancet e apresentados durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos.

A pesquisa amplia as expectativas em torno do medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e coloca a substância entre as candidatas mais promissoras da nova geração de tratamentos para obesidade. O percentual de redução de peso observado no estudo se aproxima dos resultados alcançados por procedimentos cirúrgicos, como a bariátrica, considerada atualmente uma das intervenções mais eficazes para casos graves da doença.

O ensaio clínico avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde. Além da redução significativa do peso corporal, os pesquisadores identificaram melhorias em indicadores metabólicos relacionados ao diabetes tipo 2, pressão arterial e perfil lipídico dos participantes.

Especialistas atribuem os resultados ao mecanismo de ação da retatrutida, que atua simultaneamente em três hormônios envolvidos no controle do apetite e do metabolismo energético. A estratégia difere dos medicamentos atualmente disponíveis no mercado, que costumam agir em um ou dois receptores hormonais.

Os dados divulgados também mostraram que uma parcela relevante dos participantes alcançou reduções superiores a 30% do peso inicial, índice raramente observado em tratamentos medicamentosos. O desempenho reforça a tendência de avanço das chamadas terapias incretínicas, grupo que já inclui medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes.

Apesar dos resultados considerados expressivos, a retatrutida ainda não está disponível para comercialização. O medicamento permanece em fase de testes clínicos e precisa passar pela análise de órgãos reguladores antes de receber autorização para venda. Até o momento, não há previsão oficial para o lançamento da substância no mercado brasileiro.

A obesidade é considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e está associada ao aumento do risco de problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão e diversos outros agravos. Nesse cenário, os novos resultados são vistos por pesquisadores como mais um passo na busca por tratamentos capazes de ampliar a eficácia do combate à doença sem a necessidade de intervenções cirúrgicas.

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