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‘Estou pronta para ser livre’, disse Christa Pike antes de execução falhar nos EUA; veja cronologia

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A prisioneira norte-americana Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal na noite de quarta-feira (30) na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville, no Tennessee. Ela seria a primeira mulher a receber a pena capital no estado em mais de dois séculos.  

Após receber duas doses consecutivas de pentobarbital — medicamento barbitúrico que deveria induzir coma e parada cardiorrespiratória em minutos —, Pike continuou viva, respirando e reagindo a estímulos por quase uma hora e meia. O procedimento precisou ser cancelado, e a detenta foi transferida sob escolta médica emergencial para um hospital, onde permanece internada em estado crítico.  

Diante do fracasso do protocolo, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções previstas no estado até o fim do ano e determinou a abertura de uma investigação independente.  

As últimas palavras

Antes do início da infusão das substâncias químicas, Pike fez sua declaração final para as testemunhas e autoridades presentes na câmara de execução:

“Jesus me perdoou e eu me perdoo. Estou pronta para ir para casa. Estou pronta para ser livre. Eu amo todos vocês.”

Cronologia minuto a minuto da execução que falhou

(Horários locais de Nashville, Tennessee)

 19h30: As cortinas da sala de testemunhas foram abertas. Pike já estava amarrada à maca com os acessos venosos fixados. Um conselheiro espiritual permaneceu ao lado de sua cabeça. Eles conversaram em tom baixo e cantaram juntos um cântico religioso repetindo a frase “Eu amo você”. O conselheiro passou a mão na testa da condenada.  

 19h36: A primeira dose de pentobarbital começou a ser administrada. Poucos minutos depois, Pike levantou a cabeça da maca, olhou ao redor e sorriu. Em seguida, queixou-se de desconforto físico: relatou que seu braço estava queimando e doendo, questionando os agentes penitenciários se aquela sensação era normal.  

 19h45: Em vez de perder a consciência e entrar em coma profundo como prevê o protocolo farmacológico, a prisioneira permaneceu acordada e movimentando os olhos.

 19h56: A equipe técnica aplicou uma segunda dose do medicamento letal. A cabeça de Pike se ergueu ligeiramente mais uma vez e virou para o lado, mas ela continuou respirando de forma perceptível.  

 20h06: Diante da resistência aos fármacos, agentes fecharam a cortina que separa a maca dos jornalistas e das testemunhas.

 20h06 às 20h45: Do lado de fora da cortina, testemunhas e repórteres relataram ouvir sons de respiração ritmada e estertores semelhantes a roncos vindos da câmara.

 20h22: O advogado de Pike, Randy Spivey, que acompanhava o ato, exigiu formalmente a interrupção imediata da execução e a convocação urgente de socorro médico de emergência, denunciando que a cliente estava sendo submetida a tortura química.  

 20h53: O sistema de som anunciou aos presentes: “As testemunhas devem deixar a área”. A imprensa foi escoltada para fora da penitenciária sem declarações imediatas da administração carcerária.

 21h14: Caminhões do Corpo de Bombeiros e ambulâncias com suporte avançado chegaram à prisão para prestar atendimento e remover Pike ao hospital.

Repercussão e batalha jurídica

A defesa de Pike entrou com petições urgentes nas cortes federais e acionou o comitê de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo que submeter a prisioneira a uma nova tentativa configuraria tratamento cruel e degradante, proibido pela 8ª Emenda da Constituição norte-americana. Especialistas apontam que problemas de fixação dos acessos venosos ou falha na concentração das ampolas de barbitúrico podem ter impedido a parada respiratória. 

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