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Escravização virtual: Polícia deflagra 2ª fase de operação que investiga morte de menina transmitida em rede social

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A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (15), a segunda fase da operação que investiga uma rede criminosa responsável pela morte de uma adolescente de 13 anos, cuja execução de ordens e sofrimento foram transmitidos ao vivo em plataformas digitais. O caso, apurado inicialmente como induzimento ao suicídio e posteriormente reclassificado como homicídio qualificado, revelou um esquema estruturado de “escravização virtual” voltado à dominação psicológica extrema de crianças e adolescentes.

Nesta nova etapa, policiais cumprem ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão e medidas de internação contra adolescentes envolvidos na administração e no incentivo dos ataques em grupos fechados.

A engrenagem da violência virtual

Os desdobramentos das apreensões realizadas na primeira fase do inquérito permitiram à perícia mapear o modus operandi das chamadas “panelas” virtuais:

 Atração e isolamento: Os alvos — majoritariamente meninas e jovens vulneráveis — são atraídos por perfis falsos em redes sociais abertas e, em seguida, cooptados para servidores e aplicativos sem moderação de conteúdo (como canais no Discord e grupos de mensageria).

 Chantagem e ameaças: De posse de dados pessoais, fotos privadas e informações de familiares obtidas por meio de vazamentos (doxxing), os administradores passam a exigir o cumprimento de “tarefas” progressivas, que envolvem humilhações públicas, maus-tratos a animais, automutilação e, no limite, o atentado contra a própria vida.

 Espetacularização e ‘hype’: As agressões são transmitidas em salas fechadas com dezenas ou centenas de espectadores que competem entre si por prestígio dentro das comunidades clandestinas, usando a violência extrema como moeda de visibilidade e notoriedade.

O avanço das investigações na 2ª fase

Com o aprofundamento das análises em dispositivos apreendidos no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará e Pará, a polícia identificou novos coautores:

 Identificação de articuladores: A nova fase mira os usuários que participaram ativamente da moderação da transmissão no momento da morte da vítima, incitando a consumação dos atos fatais e celebrando a tragédia em tempo real.

 Apreensão de equipamentos: Computadores, consoles de videogame e smartphones foram apreendidos nesta manhã e serão submetidos à extração forense para identificar novas células de contato e evitar planos de ataques semelhantes que vinham sendo articulados pelo grupo.

 Apologia e crimes correlatos: Os investigadores reforçam que o grupo também compartilhava materiais com apologia ao nazismo, discurso de ódio e arquivos de abuso sexual infantojuvenil.

Alerta a pais e responsáveis

Diante da sofisticação e da crueldade dos grupos virtuais, as autoridades de proteção à infância e juventude renovam o alerta para que famílias monitorem a rotina digital dos filhos, observem mudanças bruscas de comportamento, isolamento e lesões corporais, ressaltando que o perigo de agressões muitas vezes se oculta atrás das telas dentro da própria casa.

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