A edição do Fantástico exibida neste domingo (21) revelou detalhes da investigação que apura um esquema de desvio de recursos da saúde pública usado para custear uma rotina de luxo, com viagens internacionais, imóveis à beira-mar e veículos de alto valor.
Segundo a Polícia Federal, o principal investigado é o empresário Humberto Silva, apontado como responsável por liderar o esquema por meio do Instituto Riograndense de Desenvolvimento Social Integrado (IRDESI), organização social contratada pelo poder público para administrar unidades de saúde em diferentes municípios. As apurações indicam que contratos milionários eram usados para simular serviços e emitir notas fiscais falsas, permitindo o desvio de verbas públicas.
A investigação também identificou o envolvimento de pessoas próximas ao empresário. De acordo com a Polícia Federal, a atual esposa de Humberto Silva, Maíne Baccin, recebia pagamentos mensais sem comprovação de prestação de serviços à entidade. Já a ex-esposa, Tássia Nunes, teria tido despesas pessoais custeadas com recursos vinculados à organização social.
Relatórios financeiros apontam que os valores desviados eram registrados como despesas administrativas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Para os investigadores, o padrão de vida mantido pelo empresário era incompatível com os rendimentos oficialmente declarados pelas empresas e entidades ligadas ao esquema.
Enquanto parte dos recursos era desviada, unidades de saúde administradas pelo IRDESI enfrentavam problemas como falta de medicamentos, insumos básicos e dificuldades no atendimento a pacientes, conforme apontado nos autos da investigação.
A operação resultou no cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão e no bloqueio de bens e contas bancárias dos investigados. A Justiça também determinou o sequestro de imóveis e veículos para tentar garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Os investigados respondem por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude em contratos públicos e organização criminosa. As apurações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e dimensionar o prejuízo total causado ao sistema público de saúde. As defesas afirmam que irão se manifestar no processo e reforçam o princípio da presunção de inocência.