Também é provável que, se o monge medieval encarregado de determinar a data de seu nascimento não tivesse calculado mal, estaríamos alguns anos na frente agora. A única fonte que os historiadores têm para reconstruir sua vida são os evangelhos, escritos décadas depois de sua morte por pessoas que nunca o conheceram em vida e que eram propagandistas da fé em Jesus como messias. Sua história vem de segunda, terceira ou quinta mão, narrada por cristãos de primeira geração interessados, segundo historiadores, na morte e ressurreição de Jesus, não tanto em seu nascimento.
Os textos dos evangelistas, no entanto, fornecem pistas para situar Jesus — sobre cuja existência como personagem histórico há amplo consenso entre os pesquisadores — em um momento específico da história. As principais fontes, explica o historiador espanhol Javier Alonso à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, são os Evangelhos de Mateus e Lucas, escritos aproximadamente por volta dos anos 80-90 d. Enquanto os textos mais antigos do Novo Testamento, como o Evangelho de Marcos e as sete cartas do Apóstolo Paulo de Tarso consideradas autênticas, não fazem menção de sua juventude, os Evangelhos de Mateus e Lucas incluem o que é conhecido como a “relatos da infância” de Jesus.
“O problema é que, do ponto de vista cronológico, eles são incompatíveis”, diz Alonso, que também é filólogo bíblico e semítico. “Como agora sabemos que Herodes morreu em 4 a. , conforme o Evangelho de Mateus, Jesus deve ter nascido em 4, 5, 6 ou 7 a.