O dólar acumulou valorização de 9,04% na última semana de outubro, o maior avanço semanal desde 2008. A moeda norte-americana encerrou a sexta-feira (30) cotada a R$ 5,44, após subir 1,05% no último pregão do mês.
A Bolsa brasileira também enfrentou forte turbulência. O Ibovespa recuou 18,12% durante a semana, registrando o pior desempenho desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.
Somente na sexta-feira, o principal índice da B3 caiu 0,75% e terminou aos 167.921 pontos. Foi a quinta sessão consecutiva de perdas no mercado acionário brasileiro.
O movimento refletiu o aumento da cautela entre os investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As dúvidas sobre a composição da equipe econômica e a condução da política fiscal a partir de 2027 pressionaram os ativos brasileiros.
O mercado acompanha principalmente as propostas que podem elevar as despesas públicas no próximo mandato. Entre elas estão o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do Pé-de-Meia, o auxílio para microempreendedores e a implementação da tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana.
A preocupação está relacionada à capacidade do governo de financiar as medidas sem ampliar o déficit e a dívida pública. Dados recentes do Banco Central mostram que a dívida bruta permaneceu em 82,9% do Produto Interno Bruto em setembro, maior nível desde 2021.
A instabilidade também provocou uma alta nos juros futuros. Esse movimento encarece o financiamento das empresas, afeta o crédito para consumidores e reduz a atratividade das ações negociadas na Bolsa.
Instituições financeiras passaram a revisar as expectativas para a taxa básica de juros. O Itaú, por exemplo, prevê que o Banco Central interromperá os cortes da Selic e manterá a taxa em 13,75% ao ano na próxima reunião.
No acumulado de outubro, o dólar avançou 5,22%, enquanto o Ibovespa perdeu 9,88%. O resultado apagou parte dos ganhos registrados pelo mercado brasileiro nos meses anteriores.
O cenário externo também contribuiu para a aversão ao risco. As bolsas norte-americanas recuaram, com maior pressão sobre empresas de tecnologia, enquanto as tensões entre Estados Unidos e Irã elevaram as cotações internacionais do petróleo.
Entre as ações brasileiras, a Vale avançou após divulgar seus resultados financeiros. A Usiminas, por outro lado, registrou forte queda depois de apresentar números abaixo das expectativas do mercado.
A expectativa é que o comportamento do dólar e da Bolsa continue condicionado às sinalizações do governo sobre controle das despesas, cumprimento das metas fiscais e formação da equipe econômica do próximo mandato.