O governo federal lançou, na manhã desta segunda-feira (4), a nova etapa do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, em cerimônia no Palácio do Planalto. A medida foi oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amplia o alcance da política criada em 2023, agora incluindo novas modalidades de débito, como contratos do Fies, além de trazer mecanismos mais rígidos de controle do endividamento.
A iniciativa chega em um cenário de alto nível de inadimplência no país e tem como objetivo facilitar a renegociação de débitos, reduzir juros e reinserir milhões de brasileiros no mercado de crédito.
Quem pode participar
O programa é voltado principalmente para pessoas físicas de baixa e média renda, com prioridade para quem recebe até cinco salários mínimos. Também poderão participar estudantes com dívidas do Fies e, em etapas posteriores, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas.
Quais dívidas entram no programa
O Desenrola 2.0 abrange uma ampla gama de débitos, incluindo:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Empréstimos pessoais
- Contas em atraso com instituições financeiras
- Dívidas do Fies
A inclusão do financiamento estudantil é uma das principais novidades, mirando um grupo com alto índice de inadimplência e dificuldades de reinserção financeira.
Condições de renegociação
O governo estabeleceu condições mais atrativas para incentivar a adesão:
- Descontos que podem chegar a até 90% do valor total da dívida
- Juros limitados a até 1,99% ao mês
- Parcelamento com prazos ampliados
- Condições ajustadas à renda do devedor
As negociações serão feitas diretamente com os bancos, com garantia parcial do governo para reduzir riscos e estimular a concessão de crédito.
Uso do FGTS
Uma das medidas centrais do programa é a autorização para utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS):
- Até 20% do saldo poderá ser usado para quitar ou abater dívidas
- A adesão ao uso do fundo será opcional
- A expectativa é ampliar a capacidade de pagamento dos trabalhadores formais
Apesar disso, especialistas apontam preocupação com o possível impacto no uso original do FGTS, tradicionalmente destinado à habitação e proteção em caso de demissão.
Regras para evitar novo endividamento
O Desenrola 2.0 também traz mecanismos inéditos de controle. Entre eles:
- Bloqueio do acesso a plataformas de apostas online por até um ano para quem aderir
- Limitação ao uso de crédito rotativo e cheque especial
- Incentivo à educação financeira
As medidas buscam evitar que os beneficiários voltem rapidamente ao ciclo de endividamento após renegociar suas dívidas.
Fies ganha destaque na nova fase
A inclusão do Fies é considerada estratégica. Estudantes e ex-estudantes poderão renegociar contratos com:
- Redução de juros e multas
- Parcelamento mais longo
- Possibilidade de condições diferenciadas conforme renda
O objetivo é reduzir a inadimplência no crédito educacional e facilitar a regularização da situação financeira de jovens profissionais.
Impacto econômico
O governo aposta no programa como ferramenta para estimular a economia em 2026. Ao reduzir dívidas e limpar o nome dos consumidores, a expectativa é aumentar o consumo e melhorar o acesso ao crédito.
A primeira versão do Desenrola, lançada em 2023, renegociou mais de R$ 50 bilhões em dívidas e beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas. Com a nova fase, a meta é ampliar esse alcance e atingir públicos que ainda permanecem inadimplentes.
Com o lançamento oficial, o Desenrola 2.0 se consolida como uma das principais apostas da política econômica para reorganizar as finanças das famílias brasileiras e reduzir a pressão sobre o sistema de crédito ao longo do ano.