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Desemprego cai a 5,4% e atinge menor nível da série histórica

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é o menor registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua desde o início da série histórica, em 2012.

O resultado representa uma redução de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio, quando a taxa estava em 5,6%. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o desemprego atingia 5,8%, a queda foi de 0,4 ponto percentual.

A nova mínima reforça a trajetória de recuperação do mercado de trabalho. Desde o início de 2026, os indicadores mostram que as empresas continuaram absorvendo trabalhadores, mesmo diante dos juros elevados, do encarecimento do crédito e das incertezas na economia internacional.

O desempenho também confirma uma mudança significativa em relação aos piores momentos da crise provocada pela pandemia. No trimestre encerrado em março de 2021, a taxa havia alcançado 14,9%, maior nível da série. Desde então, o índice apresentou uma trajetória de queda, acompanhada pela retomada das atividades econômicas e pelo aumento da ocupação.

Como o desemprego é calculado

Para o IBGE, uma pessoa é considerada desempregada quando tem 14 anos ou mais, está sem trabalho, encontra-se disponível para assumir uma ocupação e tomou alguma providência para procurar uma vaga durante o período pesquisado.

Quem não está trabalhando e também não procura emprego não é classificado como desempregado. Esse grupo é considerado fora da força de trabalho e inclui, por exemplo, estudantes que se dedicam exclusivamente aos estudos, pessoas que cuidam da casa e cidadãos que deixaram de buscar uma oportunidade.

A Pnad Contínua considera trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, empregadores, autônomos e pessoas que atuam na informalidade. Por isso, a pesquisa oferece um retrato mais amplo do mercado de trabalho do que os registros administrativos de admissões e demissões.

Mercado formal e informal

A redução do desemprego ocorre em um cenário de expansão da população ocupada e manutenção da renda média em patamar elevado. O avanço das contratações com carteira assinada também contribui para sustentar o mercado formal.

A informalidade, no entanto, permanece como um dos principais desafios. Milhões de brasileiros trabalham sem carteira assinada ou CNPJ e, em muitos casos, não possuem acesso regular a direitos trabalhistas, contribuição previdenciária e estabilidade de renda.

O baixo desemprego também não significa que todas as pessoas ocupadas estejam em postos adequados à formação profissional ou com remuneração suficiente. Parte dos trabalhadores aceita jornadas reduzidas ou atividades temporárias porque não encontra oportunidades com melhores condições.

Resultado pode influenciar a economia

Um mercado de trabalho aquecido tende a favorecer o consumo das famílias, uma vez que mais pessoas passam a receber renda. O aumento da massa salarial também pode estimular setores como comércio e serviços.

Ao mesmo tempo, o crescimento da renda e do consumo é acompanhado pelo Banco Central devido aos possíveis efeitos sobre a inflação. A força do emprego pode influenciar as decisões sobre a velocidade de redução da taxa básica de juros.

A continuidade da melhora dependerá do desempenho da economia nos próximos meses, do comportamento dos investimentos e dos impactos da instabilidade internacional sobre empresas e exportadores brasileiros.

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