Introdução
Um desabamento em uma mina de coltan no leste da República Democrática do Congo resultou na morte de mais de 200 pessoas. O acidente ocorreu na mina de Rubaya, na província controlada pelo grupo rebelde M23, conforme confirmado por autoridades locais. Entre as vítimas estão mineiros, crianças e comerciantes que trabalhavam no local de extração manual do mineral.
Contexto da Tragédia
O deslizamento de terra aconteceu na quarta-feira, 28 de maio, mas o balanço completo das vítimas só foi divulgado na sexta-feira seguinte. Lubumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador da província, informou à agência Reuters que “mais de 200 pessoas foram vítimas desse deslizamento de terra”. Um assessor do governador, sob condição de anonimato, afirmou que o número de mortos confirmados chegava a pelo menos 227 pessoas.
Segundo relatos, algumas pessoas foram resgatadas com vida, mas sofreram ferimentos graves. A mina de Rubaya é conhecida por operar sob condições precárias, com moradores extraindo o material manualmente por alguns dólares diários. Desde 2024, o local está sob controle do grupo rebelde M23, que assumiu o poder na região durante avanços militares no ano passado.
Importância Estratégica da Mina
A mina de Rubaya possui significativa importância econômica global, produzindo aproximadamente 15% do coltan mundial. Este mineral é processado para produzir tântalo, um metal resistente ao calor essencial para diversas indústrias de tecnologia. Fabricantes de celulares, computadores, componentes aeroespaciais e turbinas a gás dependem desse material em suas cadeias produtivas.
A extração mineral na região tem sido alvo de disputas entre grupos armados e denúncias internacionais. As Nações Unidas afirmam que o M23 saqueia as riquezas de Rubaya para financiar sua insurgência, alegação que envolve também o governo vizinho de Ruanda. O governo de Kigali, por sua vez, nega qualquer apoio aos rebeldes que controlam a área mineira.
Conflito e Controle Territorial
O grupo rebelde M23, fortemente armado, declarou como objetivo derrubar o governo central em Kinshasa e garantir a segurança da minoria tutsi congolesa. Durante um avanço-relâmpago no ano passado, os rebeldes conquistaram territórios ricos em minerais no leste do Congo, consolidando seu controle sobre áreas estratégicas. A mina de Rubaya representa uma dessas conquistas territoriais com valor econômico imediato.
A situação humanitária na região permanece crítica, com comunidades locais submetidas a condições de trabalho perigosas em meio ao conflito armado. A extração manual do coltan, realizada sem equipamentos de segurança adequados, expõe os trabalhadores a riscos constantes de acidentes. O desabamento desta semana evidencia os perigos enfrentados diariamente por quem depende economicamente dessas atividades.
Conclusão
A tragédia em Rubaya expõe as condições precárias da mineração artesanal em zonas de conflito armado. A alta mortalidade do acidente reflete a vulnerabilidade dos trabalhadores que atuam sem proteção adequada em áreas controladas por grupos rebeldes. A comunidade internacional observa com preocupação a situação humanitária que se agrava no leste da República Democrática do Congo.
O desabamento representa um dos piores acidentes mineiros recentes no país africano, conhecido por sua riqueza mineral e instabilidade política. A busca por recursos naturais valiosos continua custando vidas humanas em um ciclo de violência e exploração que persiste há décadas na região. As autoridades locais enfrentam desafios logísticos e políticos para prestar assistência adequada às vítimas e familiares afetados pela tragédia.