O detalhamento da mais recente pesquisa presidencial Datafolha, divulgada nesta reta final do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, revela movimentações relevantes no perfil do eleitorado brasileiro. Embora o cenário geral mantenha Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente com 40% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 36% — configurando empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos percentuais —, a abertura por estratos sociodemográficos expõe dinâmicas distintas entre os concorrentes.
Os dados mostram ajustes nos redutos tradicionais e disputas acirradas em fatias estratégicas da população, como recortes de renda, religião e regiões geográficas.
Onde Lula oscila e amplia vantagem
Região Sul: Tradicional polo de resistência eleitoral ao Partido dos Trabalhadores, o Sul registrou oscilação positiva a favor de Lula, reduzindo a distância histórica mantida pela oposição na região.
Mais escolarizados e maior renda: O presidente manteve e consolidou vantagem nos estratos com ensino superior completo e nas faixas que recebem acima de 10 salários mínimos, repetindo o padrão de sustentação observado nos grandes centros urbanos.
Consolidação no Nordeste: O eleitorado nordestino continua sendo a principal âncora da candidatura governista, onde o petista preserva ampla margem de dianteira, superando a barreira dos 50% dos votos válidos na região.
Onde Flávio Bolsonaro ganha fôlego
Eleitores pardos e católicos: O levantamento apontou crescimento do candidato do PL entre eleitores que se autodeclaram pardos e em parcelas expressivas do eleitorado católico tradicional, nichos em que o petismo historicamente mantinha maior predominância.
Segmento evangélico: Flávio sustenta ampla liderança entre os evangélicos, com vantagem de dois dígitos sobre o presidente, impulsionada pelo discurso de costumes, pautas pró-família e endurecimento da segurança pública.
Sudeste industrial e interior: O parlamentar lidera as intenções em praças-chave como o estado de São Paulo e o Rio de Janeiro, mantendo empate técnico rigoroso no colégio eleitoral de Minas Gerais — tradicional pêndulo das disputas presidenciais no país.
Os grupos em disputa aberta
A reta final da campanha concentra a atenção dos estrategistas nos segmentos ainda fluidos:
Baixa renda (até 2 salários mínimos): Segmento que concentra a maior fatia do eleitorado nacional; Lula lidera, mas Flávio vem encurtando distâncias em capitais do Sudeste e periferias metropolitanas.
Indecisos e nulos: Com a soma de brancos, nulos e indecisos oscilando entre 6% e 8% nas simulações, a corrida pelos votos válidos na última semana de propaganda no rádio, na TV e no debate presencial desponta como o fiel da balança para definir a existência ou não de segundo turno.