O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, neste sábado (20), da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O encontro marca o encerramento da Presidência Pro Tempore do Brasil no bloco e é tratado pelo governo brasileiro como o último momento político para avançar na assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia durante a gestão brasileira.
Além de Lula, a cúpula reúne líderes e representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, além de países associados. Ao fim do encontro, o comando do Mercosul será transferido ao Paraguai, que assume a presidência rotativa no primeiro semestre de 2026.
Durante os seis meses em que esteve à frente do bloco, o Brasil priorizou o fortalecimento da integração regional, a ampliação do comércio intrabloco e a coordenação política entre os países-membros. A agenda também incluiu temas como desenvolvimento sustentável, inovação, infraestrutura regional, inclusão social e combate ao crime organizado transnacional, com atenção especial às áreas de fronteira.
No centro das discussões está o acordo Mercosul–União Europeia, negociado há mais de duas décadas. O Palácio do Planalto avalia que, sem um desfecho até o encerramento da cúpula em Foz do Iguaçu, as negociações tendem a ser empurradas para a próxima presidência do bloco. O tratado enfrenta resistências dentro da UE, sobretudo de países que pedem salvaguardas adicionais para setores agrícolas e ambientais.
Antes da reunião dos chefes de Estado, foram realizadas agendas técnicas e ministeriais, além de encontros paralelos voltados à participação da sociedade civil. A escolha de Foz do Iguaçu, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, reforça o simbolismo da integração sul-americana e levou à adoção de um esquema especial de segurança para a realização do evento.
Com o fim da presidência brasileira, o Mercosul inicia uma nova fase sob liderança paraguaia, em um cenário internacional marcado por desafios econômicos e disputas comerciais. A expectativa é que o bloco mantenha o foco na consolidação do mercado regional e na busca por maior protagonismo nas negociações externas.