As negociações entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal para uma reestruturação da dívida da Neo Química Arena avançaram nas últimas semanas, em tratativas que incluem a possibilidade de o banco assumir o naming rights do estádio, conforme revelado pelo colunista Lauro Jardim. A operação é vista internamente como estratégica para aliviar o passivo acumulado com a própria Caixa.
A dívida do financiamento da arena, originalmente de R$400 milhões contratados em 2013, passou a superar os R$600 milhões após anos de correções e encargos. Estimativas recentes situam o montante entre R$645 milhões e R$710 milhões, a depender do critério de atualização considerado. É esse saldo que se tornou o centro das discussões que buscam um modelo de pagamento mais viável e menos oneroso ao clube.
No centro das negociações está o atual contrato de naming rights, firmado com a Hypera Pharma, dona da marca Neo Química, válido até 2040. Para que a Caixa assuma o nome do estádio, o Corinthians precisaria ressarcir a Hypera pela rescisão antecipada. Nos bastidores, uma alternativa estudada envolve a realocação do patrocínio: a Neo Química poderia passar a batizar o estádio do Parque São Jorge, caso as partes fechem um acordo de compensação financeira.
Enquanto a diretoria trabalha para remodelar o vínculo com a Caixa, a mobilização popular da torcida chega ao fim. A Gaviões da Fiel anunciou o encerramento da vaquinha criada para ajudar na quitação do estádio. A campanha arrecadou cerca de R$41,1 milhões ao longo de um ano, valor expressivo, mas muito distante da meta projetada, próxima do total devido ao banco. A iniciativa será oficialmente finalizada na quarta-feira (26).
Com o encerramento da vaquinha e a necessidade de uma solução institucional, o Corinthians concentra seus esforços no avanço das conversas com a Caixa. A expectativa é que o acordo final envolva alongamento de prazos, possível renegociação do saldo e a transferência dos naming rights como principal ativo financeiro para destravar a reestruturação da dívida.