Um conjunto de 59 áudios divulgado nesta quinta-feira (23) revelou indícios de um esquema de pagamento de propina a policiais de São Paulo para impedir investigações contra operadores financeiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As gravações foram encontradas pela Polícia Federal no celular de um homem apontado pelos investigadores como integrante da facção. Posteriormente, o material foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo.
Em uma das conversas analisadas, um advogado aparece como suspeito de participar da oferta de R$ 100 mil a dois policiais. Segundo a investigação, o pagamento teria como objetivo impedir o avanço das apurações sobre empresas associadas a operadores financeiros da organização criminosa.
Os agentes são suspeitos de não aprofundar informações identificadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Os documentos apontavam movimentações consideradas suspeitas e possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
Parte das provas foi utilizada na Operação Bazaar, deflagrada em março para investigar um suposto esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo. A ação alcançou quatro delegacias e uma divisão vinculada a três departamentos da corporação.
Na ocasião, as autoridades cumpriram 25 mandados de busca e apreensão, 11 ordens de prisão e seis intimações relacionadas a medidas cautelares. Entre os alvos estavam integrantes da organização criminosa, policiais e advogados.
Os áudios também contribuíram para a Operação Janus, que apura possíveis conexões entre operadores financeiros do PCC e integrantes das forças de segurança. A Justiça decretou a prisão de 18 acusados. Onze foram capturados na terça-feira (21), enquanto outros dois já estavam presos.
As investigações ainda identificaram relações de proximidade entre suspeitos de movimentar recursos da facção e antigos integrantes da cúpula da Polícia Militar paulista. Os ex-oficiais mencionados na apuração não foram alvos da operação.
De acordo com o Ministério Público, as conversas indicam que integrantes do esquema teriam financiado e protegido atividades da organização criminosa. As apurações continuam para determinar a participação de cada suspeito e identificar outros possíveis envolvidos.