PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Assembleia Geral da ONU 2026: Confronto indireto entre Lula e Trump, crise no Oriente Médio e governança global dominam a 81ª sessão

Screenshot

A 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova York, transformou-se no principal palco de disputa política internacional de 2026. Com a tradicional abertura conduzida pela delegação brasileira, seguida pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, anfitrião da sede, a tribuna global expôs fraturas profundas na governança internacional, tensões geopolíticas no Oriente Médio e visões antagônicas para a América Latina.

Os pronunciamentos dos líderes mundiais ocorreram sob forte esquema de segurança e refletiram os desafios de uma ordem multilateral pressionada por guerras regionais, a emergência da inteligência artificial e disputas comerciais.

Lula abre a sessão com recados de soberania e agenda doméstica

Mantendo a tradição histórica iniciada em 1947, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro chefe de Estado a discursar. Sua intervenção, de tom incisivo, misturou temas domésticos com avisos diretos sobre ingerência externa:

 Soberania e ‘quintal de ninguém’: Em resposta tácita às pressões e alianças de segurança articuladas por Washington no continente, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e que as riquezas naturais do país pertencem exclusivamente ao povo brasileiro.  

 Defesa das fronteiras e crime organizado: O petista ressaltou que o enfrentamento ao narcotráfico requer inteligência e cooperação financeira mútua, refutando intervenções militares estrangeiras: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”.  

 Pautas econômicas e sociais: Na esteira do debate eleitoral brasileiro, Lula defendeu a tramitação da proposta de extinção da escala de trabalho 6×1, endureceu críticas contra o mercado desregulado de apostas online (bets) e afirmou que o país não cederá a pressões de conglomerados estrangeiros para desvirtuar ou privatizar o sistema Pix.

 Críticas ao Conselho de Segurança: O presidente voltou a condenar o imobilismo da cúpula da ONU perante os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, classificando como inaceitável a inércia dos membros permanentes diante de crises humanitárias extremas.  

Donald Trump: nacionalismo, poderio bélico e pressão continental

Logo na sequência, o presidente norte-americano Donald Trump subiu à tribuna com um discurso centrado na autoexaltação da economia dos EUA e em recados duros a regimes adversários:

 Doutrina de força: Trump afirmou que a economia dos EUA é “a inveja do mundo” e reiterou a supremacia militar norte-americana perante rivais asiáticos e europeus.  

 Ofensiva contra Cuba e Venezuela: O líder republicano classificou o regime cubano como falido e celebrou os avanços pragmáticos e de segurança obtidos na região caribenha — enquanto a delegação diplomática cubana abandonava o plenário durante a fala.  

 Iniciativas unilaterais e IA: Trump abordou o avanço tecnológico defendendo liderança absoluta no setor de inteligência artificial e ignorou os apelos de cooperação multilateral do mandatário brasileiro, concentrando-se nos acordos firmados no âmbito da coalizão de segurança regional (Escudo das Américas) com aliados sul-americanos.  

António Guterres: apelo pelo futuro do multilateralismo

Antes dos chefes de Estado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um discurso dramático de diagnóstico institucional:  

 Risco existencial da IA: O diplomata alertou para a falta de barreiras éticas no desenvolvimento descontrolado de algoritmos e armas autônomas, apontando a necessidade urgente de tratados globais vinculantes.  

 Erosão da Carta da ONU: Guterres advertiu que a impunidade e o desrespeito ao direito internacional em guerras abertas ameaçam transformar a organização em um fórum figurativo, demandando reforma profunda do Conselho de Segurança e dos bancos multilaterais de desenvolvimento.

O debate geral em Nova York segue ao longo dos próximos dias com pronunciamentos de dezenas de primeiros-ministros e chanceleres, concentrando atenções nas reuniões bilaterais de bastidores sobre cessar-fogo na Faixa de Gaza, transição energética e reconfiguração comercial global.

Leia mais

PUBLICIDADE