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Artemis II passa pelo lado oculto da Lua e inicia retorno à Terra em marco da nova era espacial

A missão Artemis II, da NASA, viveu nesta segunda-feira (6) o momento mais emblemático de sua trajetória ao realizar o sobrevoo pelo lado oculto da Lua e iniciar, na sequência, o retorno à Terra. A passagem histórica recolocou astronautas no entorno lunar pela primeira vez desde a era Apollo e marcou um novo capítulo da corrida espacial do século 21. 

A bordo da cápsula Orion, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen cruzaram a região da Lua, que não é visível diretamente da Terra, em uma das etapas mais aguardadas da missão. Durante o contorno lunar, a nave passou por um período planejado de perda de comunicação ao ficar atrás do satélite, antes de restabelecer contato com a Terra já do outro lado da órbita. 

O sobrevoo também consolidou a missão como um feito histórico em números. Segundo a NASA, a tripulação da Artemis II superou a marca da Apollo 13 e atingiu a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço profundo. O recorde foi alcançado no mesmo dia do flyby, quando a Orion chegou a 252.756 milhas da Terra, cerca de 406 mil km, reforçando o peso simbólico e operacional da viagem. 

No ponto de maior aproximação com a Lua, a cápsula passou a cerca de 4.067 milhas da superfície lunar, o equivalente a aproximadamente 6,5 mil km. A manobra foi executada dentro de uma trajetória cuidadosamente planejada para usar a gravidade lunar como impulso natural para o retorno, estratégia que integra o perfil de segurança da missão e reduz a necessidade de correções mais complexas ao longo do voo. 

Imagens raras e observações do lado oculto

Durante a passagem, os astronautas registraram imagens da superfície lunar e fizeram observações diretas sobre a geografia do lado oculto, uma das áreas mais estudadas e ao mesmo tempo menos vistas, do sistema Terra-Lua. De acordo com a NASA, a tripulação descreveu crateras de impacto, antigos fluxos de lava, rachaduras e elevações da superfície, além de diferenças de cor, brilho e textura que podem ajudar cientistas a compreender melhor a composição e a evolução geológica do satélite. 

A travessia também proporcionou cenas simbólicas da missão, como o “Earthset”, quando a Terra “desaparece” no horizonte lunar, e o “Earthrise”, quando o planeta reaparece após a nave emergir de trás da Lua. O registro desse tipo de imagem é considerado um dos momentos mais marcantes do voo, tanto pelo valor científico quanto pelo apelo visual e histórico. 

Além do flyby, a tripulação ainda presenciou um eclipse solar visto do espaço, quando a Lua encobriu o Sol do ponto de vista da Orion. Durante esse período, os astronautas observaram a coroa solar, camada mais externa da atmosfera do Sol, e relataram também seis flashes luminosos provocados por impactos de meteoroides na superfície lunar, um fenômeno raro e relevante para futuras missões humanas ao satélite. 

Por que o “lado oculto” da Lua ainda fascina cientistas

Apesar de ser popularmente chamado de “lado escuro da Lua”, o termo mais correto é lado oculto. Isso porque a região também recebe luz solar normalmente. O que acontece é que ela não pode ser observada diretamente da Terra devido ao chamado travamento de maré, fenômeno que faz com que a Lua leve praticamente o mesmo tempo para girar em torno de si e para orbitar o planeta, mantendo quase sempre a mesma face voltada para os observadores terrestres. 

Do ponto de vista científico, essa face da Lua é particularmente importante porque apresenta características geológicas distintas da porção visível da Terra. O lado oculto concentra mais crateras e menos extensas planícies escuras, os chamados mares lunares, o que faz dele uma peça-chave para estudos sobre a formação da Lua, a história dos impactos no sistema solar e a própria evolução do ambiente lunar ao longo de bilhões de anos. 

Missão é ensaio para a volta de humanos à superfície lunar

Mais do que um feito visual ou simbólico, a Artemis II é tratada pela NASA como uma missão de validação para as próximas etapas do programa Artemis. O voo testa, pela primeira vez com astronautas a bordo, o desempenho integrado da cápsula Orion, do foguete SLS (Space Launch System), dos sistemas de suporte à vida, da navegação em espaço profundo e da comunicação em uma missão além da órbita terrestre. 

A missão, lançada em 1º de abril, tem duração prevista de cerca de 10 dias e representa o passo mais importante da NASA rumo ao retorno humano à superfície lunar. A agência espacial pretende usar os dados e aprendizados da Artemis II para preparar as próximas fases do programa, incluindo missões de pouso e a ampliação da presença humana ao redor da Lua. 

Com o sobrevoo já concluído, a Orion segue agora de volta à Terra, encerrando uma jornada que vai além do simbolismo. A passagem pelo lado oculto da Lua recoloca o satélite natural no centro da estratégia espacial internacional e transforma a Artemis II em uma das missões mais importantes da exploração tripulada das últimas décadas. 

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