A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve nesta quinta-feira (14) o alerta sanitário envolvendo produtos da marca Ypê após confirmar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes fabricados pela Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo. A diretoria colegiada da agência decidiu adiar para sexta-feira (15) a análise definitiva do recurso apresentado pela empresa contra as medidas restritivas impostas pelo órgão regulador.
Segundo a Anvisa, inspeções realizadas na unidade fabril identificaram 76 irregularidades consideradas graves no processo de fabricação. Entre os problemas apontados estão falhas no controle microbiológico, deficiência nos protocolos de qualidade industrial e inconsistências em etapas críticas da produção. A fiscalização foi realizada em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo.
A agência reforçou a orientação para que consumidores suspendam imediatamente o uso dos produtos incluídos na Resolução RE nº 1.834/2026, especialmente os lotes identificados com numeração final “1”. A medida atinge detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes distribuídos nacionalmente pela marca.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria associada principalmente a infecções oportunistas e resistente a diversos antibióticos. Embora o risco para a população em geral seja considerado baixo, especialistas apontam que o microrganismo pode causar complicações em pessoas imunossuprimidas, idosos e pacientes com doenças crônicas, o que elevou a preocupação da vigilância sanitária.
Além da suspensão temporária da fabricação e comercialização dos produtos afetados, a Anvisa também determinou o recolhimento dos lotes ainda disponíveis no mercado. Redes varejistas passaram a retirar preventivamente os itens das prateleiras após a divulgação do alerta sanitário.
Em nota, a Ypê informou que mantém colaboração com a Anvisa e afirmou que vem executando um plano de ações corretivas para adequação dos processos industriais. A empresa declarou ainda que apresentou laudos técnicos e análises microbiológicas à agência reguladora na tentativa de reverter parcialmente as restrições.
O caso provocou forte repercussão no setor de higiene doméstica e ampliou o debate sobre fiscalização sanitária em produtos de grande circulação no país. A expectativa agora é pela decisão definitiva da diretoria colegiada da Anvisa, prevista para os próximos dias.