A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou de três para cinco anos o período de eficácia aprovado para o Implanon NXT. A decisão divulgada nesta terça-feira (27) permite que o mesmo implante contraceptivo seja mantido por mais tempo, reduzindo a necessidade de substituição e de novos procedimentos.
O Implanon é uma pequena haste flexível inserida sob a pele na parte interna do braço. O dispositivo libera continuamente etonogestrel, hormônio sintético que impede principalmente a ovulação e engrossa o muco do colo do útero, dificultando a passagem dos espermatozoides.
A ampliação foi baseada em estudos clínicos que avaliaram a eficácia e a segurança do método durante o quarto e o quinto anos de utilização. No principal estudo analisado pela agência, não foram registradas gestações no período adicional.
A nova duração atualiza a indicação oficial do produto no Brasil. Até então, a orientação aprovada previa a retirada ou substituição do implante ao término de três anos.
A Anvisa também autorizou a inserção do contraceptivo imediatamente após o parto ou depois de um aborto, incluindo perdas gestacionais ocorridas durante o primeiro e o segundo trimestres.
Segundo a agência, a aplicação ainda durante a internação pode reduzir o risco de gravidez não planejada, especialmente quando a paciente não consegue retornar ao serviço de saúde após receber alta.
As novas condições foram aprovadas após a análise de evidências científicas e informações de farmacovigilância. Os dados avaliados indicaram que os benefícios do método continuam superiores aos possíveis riscos.
A inserção é feita com anestesia local e precisa ser realizada por um profissional capacitado. Ao término do período de utilização, o dispositivo deverá ser retirado e poderá ser substituído por outro, caso a paciente deseje continuar com o mesmo método.
A ampliação para cinco anos não significa que todas as usuárias devem alterar automaticamente o acompanhamento. Mulheres que já possuem o implante devem procurar o profissional ou o serviço responsável pela aplicação para confirmar a orientação adequada ao próprio caso.
O contraceptivo pode causar mudanças no ciclo menstrual, incluindo sangramentos irregulares ou ausência de menstruação. A avaliação médica também é necessária para identificar contraindicações e possíveis efeitos adversos.
O Implanon está disponível no Sistema Único de Saúde. A oferta depende da organização da rede local e da existência de profissionais treinados para realizar a inserção e a retirada.
Os planos de saúde também devem garantir a cobertura obrigatória do implante hormonal para prevenção da gravidez em pessoas de 18 a 49 anos. A regra da Agência Nacional de Saúde Suplementar está em vigor desde setembro de 2025.
O método não protege contra infecções sexualmente transmissíveis. O uso de preservativo continua recomendado para reduzir o risco de contaminação por HIV, sífilis, hepatites virais e outras infecções.
A mudança foi formalizada por resolução publicada no Diário Oficial da União. A nova indicação deverá ser incorporada à bula e às orientações destinadas aos profissionais de saúde e às pacientes.