O aumento recente do preço do petróleo no mercado internacional tem gerado preocupação para o setor de combustíveis, mas a Petrobras decidiu não repassar a alta do barril para o preço do diesel nas refinarias, mantendo o valor estável para distribuidoras e consumidores. A informação foi confirmada por fontes do setor nesta terça-feira (10).
O preço do barril de petróleo tipo Brent permanece acima de US$100, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos. A escalada do conflito elevou os valores internacionais do óleo e intensificou a defasagem do diesel brasileiro em relação ao mercado global.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel vendido pela Petrobras apresenta atualmente uma defasagem de cerca de 85% em relação à paridade internacional, o que equivale a aproximadamente R$ 2,74 por litro abaixo do valor que seria praticado caso o preço acompanhasse o mercado externo. A associação alerta que essa diferença cria dificuldades para importadores e pode afetar a distribuição do produto no país.
Para evitar distorções, a Petrobras tem rejeitado pedidos extras de diesel por parte das distribuidoras, limitando a venda às quantidades contratuais. A medida busca impedir que intermediários comprem combustível barato e lucrem caso haja aumento internacional repentino.
Apesar da estabilidade nos preços definidos pela Petrobras, levantamentos do mercado e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que os valores do diesel nos postos começaram a subir, refletindo o aumento dos custos de importação e ajustes realizados por refinarias privadas.
Especialistas do setor afirmam que a decisão da Petrobras ajuda a evitar impactos imediatos no bolso do consumidor, mas o cenário internacional mantém a pressão sobre o mercado brasileiro, podendo provocar ajustes futuros caso os preços do petróleo continuem elevados.