Em entrevista ao quadro Abre-Aspas, do portal ge, o ex-árbitro internacional e comentarista Arnaldo Cezar Coelho fez uma análise crítica sobre os rumos da arbitragem no futebol brasileiro e mundial. Primeiro brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo (em 1982, na Espanha), Arnaldo apontou que o excesso de intervenções do árbitro de vídeo (VAR) e a postura excessivamente branda de novos juízes vêm esvaziando a autoridade de quem comanda o apito no gramado.
Para o veterano, a tentativa constante de “dialogar demais” e manter uma postura excessivamente cordial transformou os árbitros em figuras fragilizadas diante de pressões de atletas e comissões técnicas.
Perda de autoridade e a figura do ‘juiz simpático’
Arnaldo sustentou que o respeito dentro das quatro linhas é conquistado pela imposição técnica e disciplinar imediata, rejeitando a postura contemporânea de excessiva tolerância:
Distanciamento e respeito: “Jogador tem que ter medo do árbitro. Não é medo físico, é respeito à autoridade. Quando o juiz entra em campo querendo ser amigo de todo mundo, brincando ou tentando ser simpático, ele perde a partida na primeira decisão polêmica”, pontuou.
Critério de cartões: O ex-árbitro criticou a hesitação em punir reclamações acintosas logo no início dos jogos, avaliando que a falta de rigor inicial estimula o antijogo e a desestabilização da partida.
A dependência da cabine do VAR
Outro alvo central das críticas de Arnaldo foi o modo como o recurso tecnológico vem sendo utilizado no Brasil:
Terceirização de decisões: Segundo Arnaldo, muitos árbitros de campo deixaram de tomar decisões difíceis no calor do lance porque sabem que a cabine pode corrigi-los, criando uma sensação de acomodação e insegurança técnica.
Interpretações milimétricas: O comentarista defendeu que o VAR deveria intervir exclusivamente em erros claros e manifestos, evitando revisões demoradas em lances interpretativos que quebram o ritmo da partida e ampliam o descontentamento das torcidas.
Formação e autonomia: Para o especialista, a solução para as constantes crises da comissão de arbitragem da CBF passa pelo fortalecimento do treinamento prático de campo, priorizando o posicionamento e a convicção do juiz central sobre qualquer aparato digital.