O governo da Bolívia decretou situação de emergência nacional diante dos efeitos da seca e dos riscos associados ao El Niño 2026/2027. Dados divulgados pelas autoridades bolivianas apontam que mais de 114 mil famílias já foram afetadas pela falta de água.
A medida foi anunciada pelo presidente Rodrigo Paz no sábado (31) e permanecia em vigor nesta segunda-feira (2). O Decreto Supremo 5759 permite ampliar a mobilização de recursos financeiros, equipes de socorro e estruturas públicas.
A emergência abrange os impactos já provocados pela estiagem e o risco de novos eventos climáticos extremos, como enchentes, enxurradas, deslizamentos, geadas, tempestades de granizo e incêndios florestais.
Um levantamento anterior da Defesa Civil boliviana contabilizava pouco mais de 78 mil famílias atingidas em seis dos nove departamentos do país. A atualização apresentada posteriormente pelo governo elevou o total para mais de 114 mil.
A seca também provoca prejuízos à pecuária e à produção agrícola. Segundo o relatório da Defesa Civil, mais de 75 mil cabeças de gado foram perdidas.
A falta de água e de alimento para os animais ameaça a renda das famílias que dependem da atividade rural. O governo também teme impactos sobre o abastecimento de alimentos e os preços ao consumidor.
Com o decreto, ministérios, governos departamentais, municípios e a Defesa Civil poderão atuar conjuntamente nas áreas mais atingidas. As Forças Armadas também poderão participar das operações quando houver necessidade.
As ações incluem a distribuição de água, apoio às comunidades isoladas, atendimento aos produtores rurais e preparação para enchentes e outros desastres associados ao fenômeno climático.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. A alteração interfere nos padrões de chuva, temperatura, pressão e vento em diferentes regiões do mundo.
A Organização das Nações Unidas alertou que o episódio de 2026/2027 poderá atingir intensidade elevada. Os efeitos variam conforme a região e podem provocar seca severa em determinadas áreas e chuvas excessivas em outras.
Países vizinhos também enfrentam consequências. No Peru, temperaturas elevadas favoreceram incêndios florestais e contribuíram para a proliferação da dengue. No Chile, Santiago registrou o mês de outubro mais chuvoso de sua história.
As autoridades bolivianas acompanham as previsões meteorológicas e afirmam que novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução do fenômeno.