O dólar disparou na abertura do mercado nesta segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por volta das 9h30, a moeda norte-americana subia 12,52% e era negociada a R$ 5,60.
A cotação oscilou fortemente durante os primeiros minutos de negociação. Às 9h36, o dólar à vista avançava 10,69%, vendido a R$ 5,52. Os números podem sofrer novas alterações ao longo do dia devido à volatilidade do mercado.
O Ibovespa futuro também registrou uma queda expressiva. O índice recuava 14,84% e era negociado próximo dos 177 mil pontos antes da abertura do mercado à vista.
A reação ocorreu depois de Lula derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
O resultado contrariou a expectativa predominante entre os investidores. Pesquisas divulgadas na véspera da votação indicavam vantagem numérica de Flávio, embora a maioria mostrasse empate técnico.
O mercado havia reagido positivamente à liderança de Flávio no primeiro turno. Na sessão seguinte à votação de 4 de outubro, o Ibovespa subiu 7,7%, ultrapassou os 200 mil pontos e atingiu um recorde. O dólar caiu 4,11% naquela ocasião e fechou próximo de R$ 5.
Com a virada de Lula, investidores iniciaram um movimento de retirada de recursos dos ativos brasileiros e revisão das posições assumidas durante a campanha.
As ações de empresas brasileiras negociadas no exterior também sofreram fortes perdas. Na pré-abertura do mercado norte-americano, os papéis de bancos, da Petrobras e de outras companhias recuaram mais de 20%.
O fundo EWZ, que acompanha o desempenho das principais ações brasileiras nos Estados Unidos, chegou a cair aproximadamente 26%. Os papéis da XP apresentaram perdas superiores a 40%, enquanto Bradesco e Itaú recuaram mais de 25%.
Diante da perspectiva de um pregão atípico, a B3 ampliou temporariamente os limites de oscilação dos contratos futuros de dólar, juros e índices. A medida permite que os ativos sejam negociados mesmo diante de variações maiores que as observadas normalmente.
O mercado também monitora a possibilidade de acionamento do circuit breaker. O mecanismo suspende as negociações por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior. Caso o recuo alcance 15% depois da retomada, uma nova interrupção poderá ser realizada.
A principal preocupação dos investidores está relacionada à política fiscal do próximo mandato. O mercado cobra medidas para controlar os gastos públicos, estabilizar a dívida e garantir o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo.
Analistas também aguardam a definição da equipe econômica que comandará o Ministério da Fazenda a partir de 2027. Os primeiros anúncios poderão reduzir ou ampliar a pressão sobre o câmbio, a Bolsa e os juros futuros.
A equipe de Lula prepara uma proposta de emenda à Constituição para ampliar o controle das despesas e buscar o centro da meta fiscal. Entre as medidas em estudo estão a revisão de gastos obrigatórios, a redução do crédito subsidiado e o combate aos supersalários no serviço público.
Durante a campanha, Lula prometeu ampliar programas sociais, criar novas etapas de renegociação de dívidas, avançar na tarifa zero do transporte público e aumentar os investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
Os investidores avaliam como essas propostas serão conciliadas com a necessidade de conter o déficit e impedir o crescimento acelerado da dívida pública.
A alta do dólar também aumenta a preocupação com a inflação. A valorização da moeda norte-americana pode encarecer produtos importados, combustíveis, medicamentos, fertilizantes e componentes utilizados pela indústria.
Se a pressão cambial persistir, o Banco Central poderá interromper antes do previsto o ciclo de redução da taxa Selic. Os juros básicos estão atualmente em 13,75% ao ano.
Instituições financeiras projetam que o dólar poderá permanecer entre R$ 5,50 e R$ 6 caso o governo não anuncie medidas fiscais capazes de recuperar a confiança dos investidores. A intensidade da reação dependerá ainda da relação de Lula com o Congresso e da confirmação dos nomes que integrarão a equipe econômica.