A Polícia Federal identificou indícios de que o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), movimentou aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta bancária durante apenas três meses. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (20) e fazem parte de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com trechos da investigação, a movimentação ocorreu entre março e maio de 2025. Os investigadores consideram que o volume é aparentemente incompatível com as atividades econômicas conhecidas do advogado.
A PF afirma que o valor elevado, somado ao curto período analisado, exige o aprofundamento das investigações para identificar a origem, o destino e os beneficiários finais dos recursos.
O relatório também aponta que empresas relacionadas ao advogado apresentariam uma estrutura operacional incompatível com o volume financeiro movimentado. A suspeita é de que essas companhias possam ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
O inquérito recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. As suspeitas investigadas ainda não representam uma condenação dos envolvidos.
Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Fotografias e dados encontrados no celular apreendido do advogado indicariam uma relação de proximidade, com registros de encontros, festas e reuniões.
O advogado também é um dos proprietários da aeronave utilizada por Flávio em uma viagem realizada em janeiro de 2025. O avião era administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A investigação apura ainda possíveis irregularidades relacionadas a uma empresa de apostas esportivas e a uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro. Entre os elementos analisados estão uma movimentação de R$ 35 milhões em uma plataforma de apostas e saques realizados em casas de jogos no exterior.
As apurações começaram a partir de dados armazenados na nuvem de Willer Tomaz. O advogado foi alvo de busca e apreensão em agosto durante a Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social.
A Polícia Federal também encontrou e-mails que levantaram a suspeita de que Flávio Bolsonaro teria dividido uma conta bancária com o advogado. A assessoria do candidato negou a existência da conta conjunta. Willer também afirmou que a informação não corresponde à verdade.
Em nota, o advogado criticou o vazamento da investigação durante a campanha eleitoral e classificou as acusações como infundadas. Ele negou ter realizado operações irregulares com empresas de apostas e afirmou que não existe movimentação financeira ilícita.
A apuração continua para esclarecer a origem dos recursos e verificar se as operações identificadas foram utilizadas para ocultar patrimônio ou beneficiar terceiros. Até o momento, não há condenação relacionada aos fatos investigados.