A Polícia Federal investiga o vazamento de decisões judiciais e documentos sigilosos do Superior Tribunal de Justiça para o advogado Willer Tomaz. Uma operação realizada nesta segunda-feira (19) teve como alvo o ex-secretário de Tecnologia da Informação da Corte, Humberto Fontoura Pradera.
Segundo a investigação, Pradera teria utilizado o acesso aos sistemas internos do STJ para antecipar informações ainda não divulgadas oficialmente. Entre os materiais supostamente repassados estão minutas de decisões judiciais e manifestações do Ministério Público Federal.
Uma das suspeitas envolve o envio antecipado de uma minuta atribuída ao gabinete da ministra Nancy Andrighi. A PF também identificou indícios de que o advogado teria recebido informações sobre julgamentos envolvendo autoridades e outros clientes antes da publicação dos resultados.
Pradera foi exonerado do cargo pelo STJ após a identificação das suspeitas. A Corte também abriu uma apuração interna para analisar o acesso aos sistemas e verificar se outras pessoas participaram do possível vazamento.
Os investigadores apuram ainda a relação financeira entre os envolvidos. Uma empresa associada ao advogado teria recebido R$ 12,3 milhões da Difusora Comunicação por supostos serviços de mídia. Conversas obtidas pela PF mencionariam pagamentos no exterior e o uso de empresas offshore.
A investigação também apura se manifestações apresentadas ao Ministério Público Federal foram elaboradas ou influenciadas conforme os interesses de Willer Tomaz. Alguns trechos enviados pelo advogado teriam aparecido posteriormente em pareceres oficiais.
Willer Tomaz é citado em outras apurações da Polícia Federal e possui ligação com pessoas próximas ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Essa relação, entretanto, não comprova a participação do parlamentar no suposto vazamento de informações do STJ.
O advogado nega as acusações. As defesas dos demais investigados também poderão apresentar esclarecimentos no decorrer da apuração. Até o momento, não existe condenação relacionada ao caso.
A operação busca reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que ajudem a determinar a extensão do vazamento, os possíveis beneficiários e se houve pagamento pelas informações. O inquérito continua sob sigilo.