O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,13% em setembro, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). O resultado representa uma desaceleração frente ao avanço de 0,19% apurado em agosto e veio ligeiramente abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro.
Com esse desempenho, o indicador acumula avanço de 3,15% no ano e atinge 4,12% no acumulado dos últimos 12 meses, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O que puxou o índice no mês
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, seis registraram variações positivas, mas o alívio em itens de grande peso conteve a pressão geral sobre o orçamento das famílias:
Alimentação e bebidas (-0,29%): Principal freio da prévia no mês, com destaque para a queda nos preços da alimentação no domicílio, impulsionada pelo recuo de itens básicos da cesta de compras, como tubérculos, legumes, arroz e leite longa vida.
Transportes (-0,18%): O grupo foi puxado para baixo pela retração nos preços das passagens aéreas e pela relativa estabilidade nos combustíveis (gasolina e etanol) nas bombas no período de coleta.
Habitação (+0,42%): Registrou a maior pressão altista individual, influenciada por reajustes pontuais em tarifas de água e esgoto e pelo efeito da vigência da bandeira tarifária nas contas de energia elétrica residencial em praças metropolitanas.
Saúde e despesas pessoais (+0,31%): Continuaram pressionadas por reajustes graduais em planos de saúde e itens de higiene pessoal.
Impacto na política monetária
A desaceleração do IPCA-15 na reta final do terceiro trimestre reforça o cenário de convergência gradual dos preços, ainda que a persistência da inflação de serviços continue no radar do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para a calibragem da taxa básica de juros (Selic).
A coleta de preços do IPCA-15 considerou as variações verificadas entre a segunda quinzena de agosto e a primeira quinzena de setembro em 11 regiões metropolitanas, além de Brasília e Goiânia.