Durante ato político e compromissos eleitorais realizados na capital fluminense nesta quinta-feira (24), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a endurecer o discurso contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao discursar para apoiadores e conceder declarações à imprensa, o petista afirmou enfaticamente que qualquer tentativa de interferência do governo norte-americano na disputa presidencial brasileira resultará em derrota para Washington e para seus aliados locais.
“Eu disse isso com todas as letras: o Brasil tem mais de 200 anos de relações diplomáticas com os Estados Unidos e não aceita interferência de ninguém no seu processo democrático. Se ele [Trump] meter a mão aqui na nossa eleição, ele vai perder, porque quem decide o destino desse país é o povo brasileiro nas urnas”, declarou Lula.
Tensão pós-Assembleia Geral da ONU e o ‘tarifaço’
A fala no Rio de Janeiro aprofunda o clima de atrito e polarização entre os dois chefes de Estado, intensificado após a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (AGNU), em Nova York:
Contraponto em Nova York: Na ONU, Lula havia feito pronunciamento firme em defesa da soberania regional, sustentando que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e criticando políticas tarifárias punitivas e imposições unilaterais. Trump, por sua vez, exaltou o poderio econômico norte-americano e as alianças bilaterais de segurança firmadas recentemente na América do Sul.
Guerra comercial e tarifas: O mandatário brasileiro voltou a classificar como abusivas e sem base jurídica as sobretaxas aplicadas pela Casa Branca contra exportações brasileiras (o chamado “tarifaço”), ressaltando que o comércio exterior do país vem buscando novos parceiros na Ásia, na África e no Oriente Médio para diluir a dependência do mercado norte-americano.
Alerta sobre inteligência artificial e redes
Além do embate político direto, Lula voltou a mencionar preocupações com desinformação, disparos em massa e o uso indevido de novas ferramentas tecnológicas no pleito de 2026:
Soberania do processo eleitoral: O petista ressaltou que os órgãos de investigação e a Justiça Eleitoral (TSE) estão atentos a indícios de manipulação algorítmica e campanhas de desinformação orquestradas a partir do exterior.
Ação do PT no STF: As declarações coincidem com a ofensiva jurídica do Partido dos Trabalhadores, que acionou recentemente o Supremo Tribunal Federal para solicitar investigação rigorosa sobre supostas movimentações e articulações políticas de atores internacionais para influenciar a corrida ao Planalto.
A estratégia eleitoral na reta final
Com a proximidade do primeiro turno, o Palácio do Planalto e a coordenação de campanha de Lula buscam transformar a defesa da soberania nacional e a resistência às pressões externas em bandeiras centrais de mobilização do eleitorado de esquerda e de centro, contrastando com a linha adotada pela candidatura de oposição de Flávio Bolsonaro (PL), historicamente alinhada à direita republicana dos Estados Unidos.