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Pó de brita no lugar de cassiterita: como fraude levou PF a descobrir esquema milionário e elo com Alexandre Pires

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O que começou como uma queixa comercial de uma multinacional britânica revelou uma das engrenagens mais sofisticadas de fraude e lavagem de capitais ligadas à mineração clandestina na Amazônia. Novas informações da Polícia Federal (PF) detalham como o envio de pó de brita e areia disfarçados de cassiterita — minério estratégico do qual se extrai o estanho — destravou a investigação que resultou em mandados de busca e apreensão contra empresários do Sul do país e colocou novamente o cantor Alexandre Pires sob os holofotes judiciais.

A ofensiva é o aprofundamento da Operação Disco de Ouro, deflagrada inicialmente no fim de 2023. Segundo as apurações da PF em Roraima, o esquema causou um prejuízo estimado em ao menos US$ 48 milhões (cerca de R$ 247 milhões) a compradores estrangeiros e movimentava quantias bilionárias combinando garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, simulação de cargas e remessas internacionais de dólar-cabo.

A encenação nos galpões e o pó de brita

Conforme os relatórios de inteligência da PF, o núcleo operacional do esquema, chefiado pelo empresário gaúcho Diego Possebon, firmou contratos milionários de exportação de cassiterita. Para manter o fluxo de adiantamentos financeiros do exterior sem entregar o minério real — ou para justificar cargas que não existiam —, os investigados criaram um sofisticado teatro logístico:

 Simulação em Manaus: Em armazéns alugados na capital do Amazonas, o grupo estocou toneladas de areia e pó de brita (resíduo comum da trituração de pedras em pedreiras de construção civil), embalados em sacos industriais idênticos aos utilizados no transporte de minérios de alto valor.

 Laudos adulterados: Testes químicos e certificados de pureza laboratoriais eram falsificados para certificar falsamente teores expressivos de estanho e driblar a fiscalização portuária inicial.

 A descoberta no destino: A fraude foi formalmente desmascarada quando os contêineres chegaram aos portos de destino na Europa e a compradora estrangeira submeteu o material à inspeção metalúrgica, constatando que os carregamentos tinham valor comercial nulo.

A lavagem do dinheiro e a conexão com Alexandre Pires

O avanço das investigações sobre o destino dos quase R$ 250 milhões pagos antecipadamente pela empresa britânica apontou uma teia de repasses financeiros através de instituições de pagamento paralelas e doleiros:

 Distribuição fracionada: O dinheiro entrava no Brasil por meio de operações de dólar-cabo e contratos fictícios de prestação de serviços, sendo disperso em contas bancárias de empresas de fachada, familiares e intermediários que não tinham qualquer atuação no ramo mineral.

 O papel do empresário musical: A ponte para o meio artístico envolve Matheus Possebon, irmão de Diego e empresário musical de renome no setor de eventos, responsável por gerenciar projetos de grandes artistas da música brasileira.

 Suspeitas sobre o cantor: A PF apura se contas vinculadas a Alexandre Pires e sua empresa foram utilizadas para dissimular a origem de repasses milionários feitos pelo grupo minerador sob a roupagem de cachês de shows e contratos de publicidade que mascaravam o fluxo do dinheiro do esquema.

O que dizem as defesas

Após a nova rodada de mandados de busca e apreensão e o bloqueio judicial de patrimônio, os citados se pronunciaram:

 Defesa de Alexandre Pires: Em nota formal, a assessoria jurídica do artista afirmou que o cantor “jamais cometeu qualquer ilícito” e foi pego de surpresa com o desdobramento da apuração. A defesa enfatizou que Alexandre nunca teve ligação direta ou indireta com extração mineral, garimpo ou comércio de comodities, e reiterou confiança total no esclarecimento dos fatos perante a Justiça.

 Defesa dos irmãos Possebon: Os advogados de Diego Possebon sustentam que o empresário sempre agiu de forma regular no mercado, colabora voluntariamente com as autoridades e segue à disposição da Polícia Federal para demonstrar a legitimidade de suas operações comerciais.

Os investigados podem responder, de acordo com o grau de envolvimento individual, por organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes contra o sistema financeiro nacional e usurpação de bens da União.

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