O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (24), a terceira fase da Operação Carbono Oculto. Batizada de “Crédito Oculto”, a nova etapa mira os braços financeiros e operadores de mercado que estruturavam a lavagem de capitais e a blindagem patrimonial de recursos ilícitos derivados de fraudes bilionárias e adulteração no setor de combustíveis.
Entre os principais alvos de mandados judiciais de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa da Capital estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e um executivo de negócios diretamente ligado à cúpula do Banco Master.
Os alvos e a conexão com a Faria Lima
A ofensiva cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão simultâneos em sete estados da federação (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Maranhão e Piauí). O objetivo dos promotores e auditores fiscais é aprofundar a coleta de documentos, mídias digitais e comunicações de executivos que atuavam na estruturação de veículos de investimento:
Diretor do Banco Genial: Humberto Arthur Tupinambá Neto entrou no radar dos investigadores por conta de operações de crédito e intermediação de ativos estruturados que deram liquidez a fundos ligados aos operadores investigados.
Executivo ligado ao Banco Master: A investigação mapeou a circulação cruzada de recursos e garantias de crédito atípicas fornecidas por fundos administrados e distribuídos com a chancela de operadores do banco, conectando carteiras de crédito a distribuidoras e usinas sob suspeita.
Buscas em sedes e residências: As equipes cumpriram ordens judiciais em escritórios de alta gestão financeira na Avenida Faria Lima, em São Paulo, além de residências de alto padrão nos bairros dos Jardins e Morumbi.
O esquema: Fundos de investimento e ‘crédito oculto’
A Operação Carbono Oculto apura a infiltração de facções criminosas no mercado financeiro formal como mecanismo de blindagem de recursos sonegados no setor de combustíveis:
Estrutura multicamadas: Os recursos obtidos com fraudes fiscais e postos de combustíveis eram canalizados para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e fundos de participação, criando uma barreira contábil opaca para esconder os verdadeiros beneficiários finais.
Simulação de crédito bancário: A fase “Crédito Oculto” foca especificamente em empréstimos e emissões de títulos de crédito simulados, utilizados para justificar a injeção de dinheiro vivo e valores de procedência duvidosa no sistema financeiro como se fossem operações comerciais legítimas de financiamento.
Volume investigado: Segundo o Ministério Público, as movimentações financeiras atípicas e manobras de sonegação fiscal conectadas à rede ultrapassam R$ 11 bilhões ao longo dos últimos anos.
Posicionamento das instituições
Em comunicados preliminares divulgados na manhã de hoje:
Banco Genial: A instituição informou que suas operações seguem rigorosos critérios de compliance e integridade, ressaltando que as ordens de busca dizem respeito a apurações pontuais envolvendo contratos específicos de terceiros e que está prestando colaboração irrestrita com os esclarecimentos requisitados pelas autoridades.
Defesa dos executivos: Os advogados de defesa dos citados declararam que aguardam acesso integral aos autos do processo para prestar as devidas manifestações em juízo e reiteram a licitude de todas as operações de crédito conduzidas no mercado de capitais.