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Eleições 2026: Prestação de contas ao TSE revela perfil dos maiores doadores das campanhas presidenciais

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Com o encerramento do prazo legal para o envio da prestação de contas parcial à Justiça Eleitoral, os relatórios financeiros divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (23) traçam o primeiro raio-x detalhado sobre a origem dos recursos privados que abastecem as campanhas presidenciais em 2026. Embora os fundos públicos (Eleitoral e Partidário) continuem respondendo pela maior fatia dos orçamentos, o volume de doações de pessoas físicas já atinge cifras expressivas e expõe a divisão de apoio econômico entre os principais postulantes ao Palácio do Planalto.

A prestação de contas discrimina tanto as doações diretas de grandes empresários quanto o engajamento popular por meio do financiamento coletivo (crowdfunding eleitoral).

O mapa das doações por candidatura

A análise dos extratos bancários declarados pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL) reflete a polarização de setores produtivos da economia:

 Campanha de Flávio Bolsonaro (PL):

 Predomínio do agronegócio: Produtores rurais, pecuaristas e lideranças do setor sucroalcooleiro e da soja do Centro-Oeste e do Sul lideram os repasses nominais à chapa do senador, repetindo o padrão de mobilização de eleições anteriores.

 Setor de varejo e construção: Executivos ligados a redes nacionais de varejo e grandes incorporadoras imobiliárias figuram com doações no teto legal permitido por pessoa física (10% dos rendimentos brutos declarados à Receita Federal no ano anterior).

 Microdoações via Pix: A campanha também reportou forte adesão espontânea de apoiadores em valores fracionados, com centenas de transferências diárias abaixo de R$ 100 via chave Pix oficial.

 Campanha de Lula (PT):

 Vaquinhas virtuais e militância: A arrecadação civil da chapa governista destaca-se pelo volume concentrado nas plataformas de financiamento coletivo, impulsionada por pequenos doadores, servidores públicos, profissionais liberais e artistas.

 Empresariado industrial e financeiro: Setores da indústria de transformação, energia renovável e gestores de fundos de investimento aparecem na lista de doadores diretos de maior porte, com repasses destinados ao comitê central e às coordenações regionais.

 Aportes do próprio partido: A maior parte dos recursos operacionais da campanha, no entanto, permanece ancorada nos repasses diretos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) geridos pela executiva nacional petista.

Regras rígidas e cruzamento de dados pela Receita

O TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) iniciaram nesta quarta o cruzamento das informações declaradas com a base da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf):

 Teto de gastos e limites individuais: Cada cidadão pode doar até 10% de sua renda bruta auferida no ano-base fiscal de 2025. O doador que exceder o limite fica sujeito a multa de até 100% do valor excedente e pode ser responsabilizado por abuso de poder econômico.

 Proibição de pessoas jurídicas: A legislação mantém a vedação expressa à doação de empresas, regra em vigor desde o julgamento histórico do Supremo Tribunal Federal em 2015.

 Alerta sobre “laranjas”: O sistema de inteligência da Justiça Eleitoral disparou alertas automáticos para doações de valores elevados realizadas por pessoas sem histórico de movimentação compatível ou inscritas em programas sociais de transferência de renda, casos que serão objeto de fiscalização específica antes da homologação final das contas.

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