A abertura da sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) proporcionou uma das imagens mais simbólicas da história recente da Corte. Protagonistas do embate que expôs fraturas internas no tribunal, os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sentaram-se lado a lado nas cadeiras estofadas de couro da bancada principal do plenário.
A proximidade física imediata entre ambos não decorreu de escolha pessoal, mas sim do cumprimento rigoroso das regras regimentais de ordenação e antiguidade da Corte.
A regra de assentos no plenário
A composição dos lugares no plenário do STF segue uma tradição protocolar estrita que independe de afinidades ou disputas conjunturais:
Critério de antiguidade: O presidente da Corte ocupa a cadeira central elevada. A partir dele, os demais ministros distribuem-se alternadamente pelas alas direita e esquerda, partindo dos mais antigos até os mais novos na casa.
A disposição das cadeiras: Com a linha de sucessão atual e a posição dos magistrados, a ordem dos assentos colocou Mendonça e Moraes diretamente em poltronas vizinhas, sob o foco contínuo das câmeras de transmissão da TV Justiça e de fotógrafos credenciados.
Clima de contenção e formalismo
Durante os minutos que antecederam o início formal da sessão e durante as manifestações iniciais:
Postura reservada: Ambos mantiveram semblante sóbrio e concentrado, consultando cadernos de anotações, tablets e processos digitais, sem troca de conversas paralelas durante a exposição do presidente Edson Fachin.
Cordialidade institucional: Apesar da tensão evidente nos bastidores nos dias que antecederam a sessão — marcada pela remessa do relatório de Mendonça à presidência e pelas respostas enfáticas de Moraes e aliados —, os dois magistrados mantiveram o protocolo de urbanidade e civilidade característico das sessões públicas do Judiciário.
A cena traduz visualmente a complexidade do momento vivido pelo Supremo Tribunal Federal, que precisa deliberar colegiadamente sobre suspeições, procedimentos investigativos e a higidez de suas relações institucionais sob o escrutínio público direto.