O detalhamento da nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (14), revela uma acentuada divisão socioeconômica, geográfica e religiosa na simulação de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratificação por segmentos demonstra que a polarização nacional segue fortemente ancorada em variáveis como faixa de renda familiar, distribuição regional e confissão religiosa.
O levantamento mapeia os pontos de maior tração e as resistências enfrentadas por ambos os nomes na tentativa de atrair parcelas decisivas da população.
Os recortes por segmento social
A divisão dos entrevistados por características demográficas evidencia padrões consolidados de preferência eleitoral:
Faixa de renda: Lula mantém vantagem expressiva entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, segmento onde concentra seus maiores índices de aprovação histórica. Por outro lado, Flávio Bolsonaro lidera com folga entre os estratos com renda superior a cinco salários mínimos e na classe média tradicional.
Recorte geográfico: A regionalização dos votos reafirma o mapa político recente. Lula preserva ampla margem de liderança no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro pontua melhor nas regiões Sul e Centro-Oeste, com empate técnico no Sudeste — o maior colégio eleitoral do país, onde a disputa é considerada estratégica para qualquer plano de vitória.
Religião: No segmento evangélico, Flávio Bolsonaro desponta como o favorito da maioria dos entrevistados, refletindo o alinhamento da liderança religiosa conservadora com a base bolsonarista. Já entre o eleitorado católico e os cidadãos sem religião declarada, Lula aparece com percentuais mais elevados de preferência.
Gênero e escolaridade: O eleitorado feminino tende a apresentar maiores índices de apoio ao atual presidente e taxa superior de rejeição ao senador do PL. Já entre homens e eleitores com ensino superior completo, o desempenho de Flávio mostra maior equilíbrio e pontos de vantagem competitiva.
Disputa pelo voto indeciso e de centro
Os analistas da pesquisa apontam que a definição da disputa dependerá da movimentação dos eleitores que hoje se declaram indecisos ou propensos a votar em branco e nulo:
O eleitor de renda média: A faixa entre dois e cinco salários mínimos tem sido o principal campo de batalha das pré-campanhas, sendo o grupo que mais oscila em resposta a oscilações no custo de vida, inflação de alimentos e temas de segurança pública.
Teto eleitoral: As campanhas monitoram de perto os índices de rejeição em cada um desses grupos, uma vez que a capacidade de reduzir a rejeição em setores desfavoráveis será o termômetro decisivo para consolidar maiorias em uma eventual rodada final de votação.