A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14), uma operação para investigar um suposto esquema criminoso de desvio de verbas públicas originadas de emendas parlamentares federais. Policiais federais, com apoio de auditores da Controladoria-Geral da União (CGU), saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pelo Judiciário contra empresários, operadores financeiros e gestores públicos.
As investigações têm como alvo a contratação de empresas de fachada e a manipulação de processos licitatórios voltados a obras e serviços custeados diretamente por recursos do Orçamento da União indicados por parlamentares.
Mecanismos do suposto esquema sob investigação
O inquérito apontou um padrão recorrente de triangulação de recursos públicos e fraudes administrativas:
Direcionamento de editais: Municípios beneficiários de emendas teriam ajustado termos de referência de licitações para favorecer um grupo restrito de empreiteiras e fornecedores ligados a articuladores políticos.
Empresas de fachada e notas fiscais frias: Auditorias da CGU identificaram empresas sem capacidade operacional comprovada, quadro técnico compatível ou maquinário próprio que venceram certames milionários e emitiram notas fiscais de serviços nunca prestados.
Saques fracionados e lavagem de capitais: As quebras de sigilo bancário demonstraram que, logo após o recebimento dos repasses municipais, os valores eram distribuídos em contas intermediárias e sacados em espécie para viabilizar pagamentos de propina e comissões ilícitas.
Medidas cautelares e bloqueio de bens
Além das buscas nos endereços dos investigados, a Justiça determinou ordens restritivas para garantir a recomposição do erário:
Bloqueio financeiro: Foram indisponibilizados milhões de reais em contas bancárias, veículos de alto padrão e bens imóveis de pessoas físicas e jurídicas sob apuração.
Afastamento temporário: Servidores públicos suspeitos de facilitar a liberação de pagamentos sem a devida medição física das obras foram preventivamente afastados de seus cargos.
Apreensão de mídias: Computadores, aparelhos celulares e documentos contábeis recolhidos durante as diligências serão periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF para mapear eventuais beneficiários finais dos repasses.