O Irã prometeu uma resposta “devastadora” caso os Estados Unidos ampliem as ameaças contra o país, em mais um capítulo da escalada de tensão entre Teerã e Washington. A reação foi divulgada nesta sexta-feira (21), após o governo americano anunciar a preparação de um novo pacote de sanções econômicas contra o regime iraniano.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende impor uma das mais duras rodadas de sanções financeiras já adotadas contra o Irã. A estratégia busca ampliar o isolamento econômico de Teerã, restringir receitas obtidas com a venda de petróleo e aumentar a pressão sobre a liderança iraniana.
A resposta iraniana veio por meio de autoridades políticas e militares. O major-general Ali Abdollahi afirmou que as Forças Armadas estão preparadas para reagir a novas ameaças em diferentes frentes. O governo iraniano acusa os Estados Unidos de promover uma guerra econômica contra o país.
O presidente Masoud Pezeshkian também elevou o tom, mas manteve aberta a possibilidade de negociação. Ele afirmou que o Irã pretende buscar o fim do conflito sem aceitar imposições e considera que o país mantém condições para negociar em posição de força.
A crise entre Estados Unidos e Irã já provoca impactos além do Oriente Médio. Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e por onde passa uma parcela importante da produção global.
O Irã condiciona uma normalização do tráfego na região ao atendimento de exigências apresentadas aos Estados Unidos, entre elas o alívio de sanções sobre o setor petrolífero e a liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior.
A redução da circulação de navios pelo estreito ampliou o temor de problemas no abastecimento mundial de energia. O mercado acompanha de perto qualquer sinal de agravamento porque uma interrupção prolongada pode pressionar o preço do petróleo e elevar custos de combustíveis em diferentes países.
O petróleo Brent chegou a operar próximo de US$ 94 por barril, refletindo a preocupação dos investidores com novas restrições às exportações iranianas e com o risco de confrontos que prejudiquem ainda mais o transporte marítimo na região.
A China, uma das principais compradoras do petróleo iraniano, criticou a pressão econômica promovida pelos Estados Unidos e voltou a defender uma solução diplomática. Pequim sustenta que novas sanções podem ampliar as tensões e dificultar uma saída negociada.
Washington também avalia medidas contra empresas e intermediários que continuem ajudando o Irã a comercializar petróleo e movimentar recursos no exterior. A ampliação dessas punições pode atingir parceiros comerciais de Teerã e aumentar a disputa diplomática com outras grandes economias.
Dentro do Irã, a população já sente os efeitos da crise. A combinação de sanções, inflação elevada e redução da atividade econômica tem pressionado o poder de compra das famílias e aumentado o custo de produtos básicos.
Apesar das dificuldades econômicas, o governo iraniano afirma que não aceitará novas ameaças sem reação. Ao mesmo tempo, autoridades do país indicam que ainda existe espaço para uma negociação que reduza a tensão com Washington.
A combinação de novas sanções, ameaças de retaliação e instabilidade no Estreito de Hormuz mantém a comunidade internacional em alerta diante do risco de uma nova escalada militar e de impactos sobre petróleo, inflação e mercados financeiros.