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Lula diz que Brasil vencerá EUA na “guerra da narrativa”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil pretende responder às acusações feitas pelo governo dos Estados Unidos por meio de uma disputa no campo da comunicação. Segundo ele, informações falsas divulgadas sobre o país serão contestadas publicamente.

A declaração foi feita durante uma entrevista a podcasts, em meio ao agravamento da tensão política e comercial entre os governos brasileiro e norte-americano. Lula declarou que não deseja um confronto direto com o presidente Donald Trump, mas que o Brasil não permanecerá em silêncio diante de ataques à imagem do país.

O presidente classificou o embate como uma “guerra da narrativa” e disse acreditar que o governo brasileiro conseguirá vencer essa disputa ao apresentar informações e rebater acusações consideradas falsas.

Tarifas ampliam tensão entre os países

A fala ocorre depois de os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sobre produtos brasileiros. Parte das exportações passou a enfrentar uma cobrança adicional de 25%, enquanto determinados itens podem sofrer uma sobretaxa complementar de 12,5%.

O governo brasileiro considera as medidas injustificadas e incompatíveis com os compromissos comerciais assumidos pelos Estados Unidos. A cobrança afeta segmentos como calçados, móveis, máquinas, açúcar e etanol, embora mais de 2,1 mil categorias tenham sido isentas.

Nesta semana, o Brasil comunicou oficialmente aos Estados Unidos o início das consultas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica. O procedimento poderá resultar na adoção de contramedidas comerciais, mas o governo afirma que continuará buscando uma solução negociada.

A equipe econômica avalia que qualquer eventual retaliação deverá ser adotada com cautela para evitar aumento de custos no mercado interno e novos prejuízos aos exportadores brasileiros.

Lula fala em tentativa de interferência eleitoral

Além das tarifas, Lula voltou a relacionar as ações do governo norte-americano às eleições presidenciais brasileiras. O presidente afirmou que os Estados Unidos poderão tentar influenciar o processo eleitoral em favor da oposição.

O governo dos Estados Unidos nega qualquer plano de interferência e afirma que respeitará o resultado das urnas, desde que as eleições sejam consideradas livres e justas.

A tensão aumentou depois que integrantes do governo Trump e autoridades norte-americanas fizeram declarações sobre a política brasileira. O Palácio do Planalto passou a utilizar a defesa da soberania nacional como um dos principais eixos de sua comunicação.

Lula afirmou que sua reação ocorrerá dentro dos limites diplomáticos e institucionais. O presidente disse que não pretende romper as relações históricas com os Estados Unidos, que permanecem como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Brasil busca ampliar negociação

Apesar do endurecimento do discurso, o governo brasileiro mantém canais de diálogo com autoridades e representantes do setor empresarial norte-americano. A intenção é reduzir ou eliminar as tarifas e impedir o surgimento de novas barreiras comerciais.

O Brasil também levou a disputa ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O Itamaraty sustenta que as medidas adotadas pelos Estados Unidos não possuem justificativa econômica compatível com as regras internacionais.

Os Estados Unidos continuam sendo o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás da China. Dados divulgados nesta sexta-feira mostram que as vendas brasileiras ao mercado norte-americano caíram 12,2% entre janeiro e julho de 2026.

Os produtos mais atingidos pelas sobretaxas registraram retração de 31,5% no período. Diante desse cenário, o governo tenta combinar pressão diplomática, contestação jurídica e comunicação pública para defender os interesses brasileiros.

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