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Facção cobrava R$ 60 mil de candidatos para entrar em bairros no Ceará

Uma operação deflagrada nesta terça-feira (11) investiga a suspeita de que uma organização criminosa cobrava até R$ 60 mil para permitir a entrada de candidatos em determinados bairros de Sobral, no Ceará, durante o período eleitoral.

Batizada de Operação Omertá, a ação foi realizada pelo Ministério Público do Ceará e por instituições que integram a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado. A investigação apura uma possível interferência da facção nas eleições municipais de 2024 e no processo eleitoral de 2026.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Entre os alvos estão vereadores, um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral, uma policial militar e suspeitos de integrar a organização criminosa.

Agentes públicos investigados também foram afastados das funções por 180 dias. O objetivo é impedir que os cargos sejam utilizados para interferir na apuração, ocultar provas ou manter contato com outros integrantes do grupo.

Candidatos teriam de pagar para fazer campanha

A investigação aponta que a facção estabeleceu áreas sob controle próprio e passou a exigir dinheiro de candidatos interessados em realizar atos de campanha nesses locais.

O valor cobrado chegava a aproximadamente R$ 60 mil. O pagamento funcionaria como uma espécie de autorização para que candidatos, assessores e apoiadores circulassem pelos bairros, distribuíssem materiais eleitorais e conversassem com os moradores.

A suspeita é que políticos que se recusassem a pagar poderiam ser impedidos de entrar nas comunidades. A prática teria restringido a liberdade de campanha e criado uma vantagem para candidaturas apoiadas ou toleradas pela organização.

Além da cobrança, os investigadores identificaram indícios de ameaças e coação contra eleitores. O grupo teria tentado influenciar a escolha dos moradores por meio do medo e do controle territorial.

Vereadores estão entre os investigados

A operação alcançou integrantes do poder público municipal e pessoas apontadas como ligadas à facção. A presença de vereadores e de um assessor jurídico da Câmara entre os alvos é investigada para esclarecer se houve colaboração de agentes políticos com a organização criminosa.

Uma policial militar também foi alvo das medidas judiciais e afastada das funções. A investigação busca identificar se informações ou recursos públicos foram usados para beneficiar o grupo.

Celulares, documentos, computadores e outros materiais apreendidos durante as buscas serão analisados. O conteúdo poderá ajudar a reconstruir transferências financeiras, contatos entre os investigados e possíveis acordos relacionados às campanhas eleitorais.

Investigação alcança eleições de 2024 e 2026

A apuração não está limitada ao pleito municipal de 2024. Os investigadores também procuram identificar tentativas de interferência no processo eleitoral de 2026.

Entre os crimes investigados estão organização criminosa, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento do exercício da propaganda eleitoral. A responsabilização individual dependerá da análise das provas e do avanço das investigações.

O nome da operação, Omertá, faz referência ao código de silêncio historicamente associado a organizações criminosas. A escolha destaca a suspeita de que ameaças e intimidação eram usadas para impedir denúncias e dificultar a atuação das autoridades.

Os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente até a última atualização. As defesas deverão ser procuradas para manifestação, e todos os envolvidos são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.

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