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Irã ameaça atacar navios de guerra dos Estados Unidos

O Irã ameaçou, nesta terça-feira (4), atacar embarcações militares dos Estados Unidos caso Washington mantenha o bloqueio naval e envie navios de guerra para uma rota disputada no Estreito de Ormuz. A declaração amplia o risco de um novo confronto direto entre os dois países.

A ameaça foi feita por Mohsen Rezaei, conselheiro militar da liderança suprema iraniana. Em entrevista à televisão estatal, ele afirmou que as Forças Armadas do país não permanecerão paradas diante da continuidade das ações norte-americanas na região.

Rezaei declarou que o Irã não aceitará a abertura de uma rota pelo Estreito de Ormuz sem a participação de Teerã. Segundo o conselheiro, navios de guerra norte-americanos enviados para operar no trajeto considerado ilegal pelas autoridades iranianas poderão ser atacados.

O bloqueio naval foi retomado pelos Estados Unidos em julho, depois do colapso de um cessar-fogo estabelecido como parte de um entendimento entre Washington e Teerã. O governo iraniano acusa os norte-americanos de descumprirem as condições negociadas.

O Comando Central dos Estados Unidos informou na segunda-feira (3) que 44 navios comerciais foram redirecionados durante as operações. Duas embarcações ficaram imobilizadas e outras duas foram abordadas.

O Irã sustenta que o bloqueio prejudica sua navegação e aumenta a insegurança no Golfo Pérsico. O governo de Teerã também acusa Washington de realizar ataques sem levar as divergências ao mecanismo de resolução previsto no acordo firmado anteriormente.

As autoridades iranianas defendem que os Estados Unidos devolvam recursos bloqueados, reconheçam que não estão em guerra com o país e interrompam as ações militares na região. O governo norte-americano, por sua vez, mantém pressão para limitar as operações iranianas no estreito.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de energia. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é utilizada diariamente por navios que transportam petróleo e gás.

Uma escalada militar no local pode provocar interrupções no transporte, elevar os custos dos seguros marítimos e pressionar os preços internacionais do petróleo. Os efeitos também podem atingir os combustíveis comercializados no Brasil.

A tensão cresceu depois que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entrou em colapso. Washington retomou os ataques no início de julho, enquanto Teerã passou a adotar medidas contra embarcações que, segundo suas autoridades, utilizavam uma rota sem autorização.

Apesar das ameaças, ainda não houve confirmação de um novo ataque contra navios militares norte-americanos nesta terça-feira. A movimentação das forças dos dois países segue sob acompanhamento internacional.

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