Produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos já enfrentam, nesta sexta-feira (31), tarifas adicionais de até 37,5%. As cobranças atingem 23,1% das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano e ampliam a pressão sobre empresas dependentes das vendas para o país.
A primeira tarifa, de 25%, começou a ser aplicada em 22 de julho sobre uma lista de mercadorias brasileiras. Dois dias depois, os Estados Unidos acrescentaram uma cobrança de 12,5% relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado. Com a sobreposição das duas medidas, 16,5% das exportações brasileiras ao país passaram a pagar a alíquota máxima.
A tarifa de 25% foi adotada após uma investigação aberta pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Washington afirma ter identificado práticas brasileiras consideradas prejudiciais às empresas dos Estados Unidos.
Entre os setores atingidos estão fabricantes de máquinas agrícolas, produtos de madeira, roupas, calçados e etanol. A medida pode afetar entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, conforme estimativas divulgadas após o início da cobrança.
Alguns produtos relevantes para o mercado norte-americano ficaram fora da tarifa de 25%, entre eles café, carne bovina, aeronaves e peças do setor aéreo. As exceções foram adotadas para reduzir possíveis impactos sobre consumidores e cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos.
A nova barreira comercial preocupa principalmente empresas que concentram parte significativa das vendas no mercado norte-americano. Com a tarifa, os produtos brasileiros ficam mais caros nos Estados Unidos e perdem competitividade diante de mercadorias produzidas em outros países.
O setor de calçados está entre os que projetam redução nas exportações e risco de demissões. Empresas também avaliam renegociar contratos, dividir os custos com importadores ou procurar compradores em outros mercados.
O governo brasileiro classificou as tarifas como injustificadas e afirmou que continuará negociando com Washington. Segundo o Ministério da Fazenda, as medidas representam uma interferência externa, mas o Brasil não pretende abandonar as conversas com as autoridades norte-americanas.
O país também acionou a Organização Mundial do Comércio. O pedido de consultas apresentado pelo Brasil foi distribuído aos integrantes da entidade na quinta-feira (30). O governo contesta as duas investigações usadas pelos Estados Unidos para justificar as cobranças adicionais.
A abertura das consultas é a primeira etapa de uma disputa comercial na OMC. Brasil e Estados Unidos terão a oportunidade de negociar uma solução. Caso não haja acordo, o governo brasileiro poderá solicitar a criação de um painel para analisar se as medidas violam as regras internacionais de comércio.
Além de reduzir a competitividade dos produtos nacionais, a manutenção das tarifas pode afetar investimentos, produção e empregos em cidades que dependem das exportações. Empresas atingidas também poderão redirecionar mercadorias para outros países, aumentando a oferta e pressionando os preços no mercado interno.