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Irã barra petroleiros em Ormuz e petróleo supera US$ 90

A Guarda Revolucionária do Irã impediu dois petroleiros de atravessarem o Estreito de Ormuz, enquanto outras quatro embarcações mudaram de rota nesta sexta-feira (31), segundo informações divulgadas pela agência iraniana Fars. A movimentação aumentou a preocupação com o transporte de petróleo em uma das principais rotas energéticas do mundo.

As restrições contribuíram para uma alta superior a 1% nos preços internacionais do petróleo. Por volta das 8h18, no horário de Brasília, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 90,04, com avanço de 1,13%. O petróleo dos Estados Unidos subia 1,41%, cotado a US$ 84,77 por barril.

Apesar das novas dificuldades, dois grandes navios petroleiros conseguiram deixar o estreito nesta sexta-feira carregados com petróleo produzido no Golfo. Dados de rastreamento marítimo, no entanto, indicaram que o tráfego continuava reduzido.

Antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Desde o agravamento dos ataques na região, o movimento de embarcações caiu de forma acentuada e chegou a ser interrompido em alguns períodos.

Em meados de julho, apenas três navios de transporte de commodities atravessaram o estreito em um único dia. Antes da guerra, a média era de aproximadamente 125 embarcações por dia. A Guarda Revolucionária já havia declarado que petróleo e gás não seriam exportados pela rota enquanto os ataques norte-americanos continuassem.

A tensão aumentou depois que o Irã confirmou ataques contra bases militares dos Estados Unidos na Jordânia e contra embarcações que tentavam atravessar Ormuz. Segundo a Guarda Revolucionária, três petroleiros foram atingidos após utilizarem uma rota considerada não autorizada pelo governo iraniano.

Os Estados Unidos responderam com novos ataques contra alvos no território iraniano. O conflito, iniciado em fevereiro, também passou a atingir outros países e rotas comerciais do Oriente Médio, ampliando os riscos para o fornecimento mundial de energia.

Outro ponto de preocupação é o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. A rota também enfrenta ameaças e restrições provocadas por grupos ligados ao Irã. Na quinta-feira (30), 29 embarcações de transporte de commodities conseguiram atravessar a região.

Arábia Saudita e outros países discutem a formação de uma coalizão para reforçar a segurança no Mar Vermelho, no Golfo de Áden e em Bab el-Mandeb. As rotas são usadas para transportar petróleo, gás e outros produtos entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa.

O petróleo Brent caminha para encerrar julho com valorização de aproximadamente 23%. Analistas avaliam que a cotação poderá oscilar entre US$ 80 e US$ 100 no curto prazo, dependendo da evolução da guerra e da quantidade de navios que conseguirem atravessar as rotas afetadas.

Uma alta prolongada do petróleo pode aumentar os custos de produção e transporte em diferentes países. No Brasil, as oscilações internacionais são acompanhadas pelo mercado por causa dos possíveis efeitos sobre os preços dos combustíveis e sobre a inflação.

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