Cerca de 49 mil migrantes atravessaram a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, em um intervalo de 24 horas. Ao menos 34 pessoas morreram durante as tentativas de entrada por terra e pelo mar, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (31).
A estimativa de entradas foi apresentada pelo Ministério do Interior da Espanha. Já Juan Jesús Vivas, presidente do governo regional de Ceuta, afirmou que o número pode ter chegado a 60 mil pessoas, o equivalente a aproximadamente 70% da população do território.
Parte das vítimas morreu afogada ao tentar contornar a fronteira marítima. Também houve registros de mortes durante tumultos próximos ao quebra-mar de Tarajal, uma das principais áreas de passagem entre o Marrocos e Ceuta.
Imagens registradas na região mostraram grupos atravessando o mar a nado, enquanto outros migrantes romperam pontos da barreira terrestre e entraram na cidade. Entre as pessoas que conseguiram cruzar a fronteira estavam mulheres, crianças e menores desacompanhados.
A chegada em massa sobrecarregou os centros de acolhimento e as forças de segurança. Milhares de migrantes passaram a noite em parques, calçadas e outras áreas públicas, sem acesso adequado a abrigo e alimentação.
O governo espanhol enviou militares e reforços policiais para apoiar as equipes locais, prestar atendimento aos feridos e tentar controlar novas entradas. Do lado marroquino, as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e caminhões com canhões de água para dispersar grupos que se aproximavam da fronteira.
Apesar do grande número de entradas, o Ministério do Interior espanhol informou que aproximadamente 25 mil pessoas já haviam retornado voluntariamente ao Marrocos. Alguns migrantes relataram dificuldades para encontrar comida e abrigo em Ceuta.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, esteve no território nesta sexta-feira e classificou a entrada em massa como uma violação da soberania espanhola. O governo também anunciou que trabalhava com as autoridades marroquinas para acelerar o retorno de pessoas que entraram de forma irregular.
Autoridades espanholas avaliam se uma decisão recente da Suprema Corte pode ter contribuído para o aumento das travessias. A medida impede a devolução imediata de migrantes interceptados no mar sem a análise individual de cada caso. O governo suspeita que traficantes de pessoas tenham divulgado uma interpretação distorcida da decisão para estimular as tentativas de entrada.
Ceuta e Melilla são cidades autônomas espanholas situadas no norte da África e formam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano. As duas regiões registram tentativas frequentes de entrada de migrantes que buscam chegar ao território europeu.
A crise também provocou reações em outros países. A França anunciou o reforço da fiscalização em sua fronteira com a Espanha, enquanto a Itália ameaçou adotar medidas temporárias relacionadas ao Espaço Schengen, área que permite a livre circulação entre países europeus.