A Polícia Federal passou a reunir elementos nesta sexta-feira (24) para investigar possíveis crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção nos repasses destinados ao filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão atende a um pedido da própria PF e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que identificou elementos suficientes para uma investigação formal.
No centro da apuração estão cerca de R$ 61 milhões ligados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O valor teria sido destinado à produção cinematográfica após uma negociação conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro.
A equipe responsável pelo caso pretende analisar notas fiscais, movimentações financeiras e documentos bancários. A PF também poderá solicitar quebras de sigilo e colher depoimentos, incluindo o de Vorcaro.
Os investigadores querem esclarecer a origem do dinheiro e confirmar se todo o montante enviado ao exterior foi efetivamente utilizado na produção do filme. A apuração ocorre dentro das investigações sobre as fraudes atribuídas ao Banco Master e suas conexões financeiras e políticas.
Documentos revelados anteriormente indicam que a negociação previa um investimento total de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. Os registros identificados até agora apontam transferências de pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões.
Parte dos recursos teria saído do Brasil por meio da Entre Investimentos e Participações e chegado ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas. O destino final previsto seria a Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
Uma das linhas da investigação verifica se parte do dinheiro foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido qualquer recurso relacionado a Vorcaro ou ao financiamento da produção.
A PF também apura a participação do publicitário Thiago Miranda, que admitiu ter intermediado as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Miranda já era investigado em outra frente relacionada ao ex-banqueiro e teve o passaporte apreendido. A defesa nega qualquer ilegalidade.
Flávio Bolsonaro afirma que buscou financiamento privado para a produção sobre a história do pai. O senador sustenta que não ofereceu vantagens em troca dos aportes e nega que o dinheiro tenha sido usado para outra finalidade.
A investigação tramita sob sigilo. A abertura do inquérito não representa denúncia ou condenação, e a Polícia Federal ainda deverá reunir documentos, depoimentos e informações bancárias antes de apresentar as conclusões ao Supremo.