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Zanin autoriza PF a investigar ministro do STJ por suspeita de venda de decisões

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a abrir uma investigação formal contra Marco Buzzi, integrante do Superior Tribunal de Justiça. A apuração sobre a suspeita de venda de decisões judiciais foi divulgada nesta sexta-feira (24).

Buzzi é o segundo ministro do STJ investigado no caso. Zanin também havia autorizado a abertura de um inquérito contra Moura Ribeiro. As duas investigações tramitam sob sigilo no Supremo.

A nova apuração envolve suspeitas relacionadas a um familiar de Marco Buzzi. Relatórios anteriores da Polícia Federal mencionaram a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro, ao analisar possíveis ligações com um empresário investigado pela negociação de decisões judiciais.

Outro documento produzido pela própria PF afirmou, no entanto, que não havia indícios suficientes para relacionar a advogada ao esquema. A defesa de Catarina declarou que as tentativas de associá-la às irregularidades não possuem sustentação nos elementos reunidos pela investigação.

Marco Buzzi informou que não tinha conhecimento de sua inclusão como investigado. O ministro também declarou que não possui relação com as atividades desempenhadas por familiares.

A investigação integra as apurações sobre a possível atuação de lobistas, empresários, advogados e servidores na negociação de decisões e no acesso antecipado a informações internas do STJ. A Polícia Federal analisa documentos encontrados em equipamentos apreendidos durante a Operação Sisamnes.

Em setembro de 2025, a PF encontrou minutas de votos ligadas aos gabinetes de quatro ministros do tribunal, entre eles Buzzi. Na ocasião, as autoridades afirmaram que os magistrados ainda não eram investigados diretamente e que o material exigia aprofundamento.

Buzzi está afastado das funções no STJ desde fevereiro. Em abril, o tribunal abriu um processo administrativo disciplinar para apurar outras condutas atribuídas ao ministro e decidiu manter o afastamento cautelar até a conclusão do procedimento. Esse caso é independente da investigação sobre a possível venda de decisões.

A abertura do inquérito não representa denúncia ou condenação. A Polícia Federal deverá reunir provas e ouvir os envolvidos antes de apresentar as conclusões ao Supremo.

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