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Mercado prevê inflação acima do teto e Selic de 14% em 2026

O mercado financeiro reduziu pela terceira semana consecutiva a projeção para a inflação brasileira em 2026, mas a estimativa continua acima do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20) aponta que o IPCA deve encerrar o ano em 5,15%.

Na semana anterior, a projeção estava em 5,16%. Apesar da redução, o percentual esperado permanece 0,65 ponto acima do teto da meta de inflação.

O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o intervalo considerado aceitável vai de 1,5% a 4,5%.

Entre as instituições que atualizaram suas previsões nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o IPCA subiu de 5,10% para 5,17%. O movimento mostra que parte dos economistas passou a identificar novas pressões sobre os preços, mesmo com a redução apresentada na mediana geral da pesquisa.

O relatório reúne projeções de bancos, consultorias, corretoras e outras instituições do mercado. Os números não representam uma previsão oficial do Banco Central, mas são utilizados como referência para decisões econômicas e para a definição da política monetária.

Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 4,20%. A estimativa para 2028 subiu de 3,70% para 3,78%, enquanto a previsão para 2029 continuou em 3,50%.

A expectativa para a taxa básica de juros no fim de 2026 foi mantida em 14% ao ano. Como a Selic está atualmente em 14,25%, a projeção considera a possibilidade de mais uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro.

Juros elevados são utilizados para conter a inflação porque encarecem o crédito e reduzem o consumo e os investimentos. Ao mesmo tempo, a manutenção da Selic em patamar alto pode desacelerar a atividade econômica e dificultar a expansão das empresas.O dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,20, segundo o Focus. A previsão permanece nesse nível pela quinta semana consecutiva. Para o fim de 2027, a estimativa foi mantida em R$ 5,28.

As projeções foram divulgadas em um cenário de aumento das incertezas internacionais. A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã fez o petróleo superar momentaneamente US$ 90 por barril nesta segunda-feira.Uma alta prolongada do petróleo pode pressionar os custos de combustíveis, transporte, energia e produção. O mercado também acompanha a tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos começarão a aplicar sobre parte dos produtos brasileiros na quarta-feira (22).

O Banco Central avalia a evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário externo antes de decidir sobre a Selic. A próxima definição caberá ao Comitê de Política Monetária, que poderá manter os juros ou realizar um novo corte conforme o comportamento dos preços e das expectativas.

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