Informações divulgadas nesta sexta-feira (17) mostram que o Banco Master repassou R$ 57,9 milhões a uma empresa registrada com capital social de apenas R$ 40. As transferências ocorreram entre 2024 e 2025 e seriam referentes a serviços prestados pela companhia.
A beneficiária é a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., aberta em novembro de 2024 para atuar na área de consultoria em gestão empresarial. A sede informada pela empresa fica em um prédio comercial de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Mesmo recém-criada e com um capital social reduzido, a Copenhagen aparece entre as dez empresas que mais receberam recursos do Banco Master no período.
A companhia pertence ao Estônia Fundo de Investimento Multiestratégia, administrado pela Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A gestora é investigada pela Polícia Federal por suspeita de participar da aquisição e da ocultação de bens relacionados ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master.
As suspeitas fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes envolvendo o banco. A investigação procura identificar a finalidade de diferentes pagamentos, a efetiva prestação dos serviços contratados e o destino final dos valores movimentados.
A Copenhagen é atualmente dirigida pelo contador Rogério Lourenço Novo, que assumiu o cargo em setembro de 2025, pouco antes da deflagração da operação da Polícia Federal.
O contador foi investigado anteriormente por suspeita de envolvimento em um esquema de emissão de notas fiscais falsas por empresas de fachada. A apuração, relacionada a fatos ocorridos entre 2013 e 2015, estimou a fraude tributária em mais de R$ 100 milhões.
O Ministério Público Federal arquivou o caso depois que a principal empresa investigada aderiu a um programa de parcelamento da dívida tributária. Atualmente, Rogério também ocupa uma vaga no conselho fiscal da Ambipar.
Antes dele, a Copenhagen era administrada por Artur Martins de Figueiredo, ligado à Trustee. Artur é investigado pela PF por suspeita de utilizar fundos de investimento e operações contábeis para movimentar e ocultar recursos relacionados ao Banco Master.
A Trustee declarou que atua somente como administradora do fundo proprietário da Copenhagen e que não teve participação nas relações comerciais, nos pagamentos ou nas negociações mantidas entre a empresa e o banco.
A gestora também afirmou que a atuação de Artur na companhia respeitou a legislação, as regras de governança e os procedimentos de controle interno e conformidade.
Até o momento, não há decisão judicial que considere ilegal o repasse de R$ 57,9 milhões. A diferença entre o valor recebido, o capital social declarado e o pouco tempo de funcionamento da Copenhagen, no entanto, deve ser analisada no decorrer das investigações.
A apuração deverá esclarecer quais serviços foram contratados, se eles foram efetivamente realizados, como os pagamentos foram calculados e para onde os recursos foram enviados.
Até a última atualização desta matéria, Banco Master, Copenhagen e Rogério Lourenço Novo não haviam apresentado manifestação específica sobre os repasses. O espaço permanece aberto para posicionamentos.