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EUA impõem tarifa de 25% e atingem US$ 11 bilhões em exportações brasileiras

Os Estados Unidos confirmaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A cobrança começa na próxima quarta-feira (22) e deve atingir aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, com efeitos principalmente sobre setores da indústria e do agronegócio.

A medida foi anunciada após uma investigação comercial conduzida durante um ano pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. O procedimento foi aberto por determinação do presidente norte-americano, Donald Trump.

A nova tarifa atingirá menos de 20% das vendas brasileiras destinadas ao mercado dos Estados Unidos. Mais de 2,1 mil categorias de produtos ficaram fora da cobrança, incluindo itens importantes da pauta de exportações do país, como carne bovina, café, suco de laranja e aeronaves.

A lista de exceções, no entanto, não contempla segmentos como máquinas agrícolas e industriais, calçados, roupas, equipamentos elétricos, papel, açúcar orgânico, ferramentas e diferentes produtos manufaturados. Esses setores poderão perder competitividade diante de fornecedores de outros países.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil estima que a medida pode afetar US$ 11 bilhões em negócios entre as duas economias. A entidade alertou que a tarifa também poderá elevar os custos para empresas e consumidores norte-americanos que dependem de matérias-primas e produtos brasileiros.

O comércio entre Brasil e Estados Unidos já apresenta retração. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 13% no ano, uma perda estimada em US$ 2,6 bilhões. No primeiro semestre, 20 dos 27 estados brasileiros reduziram as vendas para o país.

A investigação norte-americana questionou práticas relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais, à propriedade intelectual, ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento. O governo brasileiro rejeitou as alegações e afirmou que a decisão não encontra justificativa nas regras internacionais de comércio.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), o governo informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade. O mecanismo permite que o Brasil adote medidas comerciais contra países que imponham barreiras consideradas unilaterais aos produtos nacionais.

O país também pretende levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O Palácio do Planalto classificou a decisão como injustificada e afirmou que continuará procurando novos mercados para reduzir os prejuízos aos exportadores brasileiros.

Dados apresentados pelo governo mostram que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% dos produtos norte-americanos importados pelo país entraram sem cobrança de imposto, enquanto a tarifa média efetivamente aplicada foi de 3,1%.

Entidades empresariais defendem a manutenção das negociações para evitar o agravamento da disputa. O setor produtivo teme que novas investigações abertas pelos Estados Unidos elevem as barreiras e ampliem as perdas para empresas, trabalhadores e cadeias de produção brasileiras.

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